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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Há violência por toda a parte, não é só no Black Bloc



Violência não nos leva a lugar nenhum.

Nem a cometida por manifestantes, nem as cometidas pelos policiais, pela imprensa, pelos políticos, pelos empresários, pelos religiosos, por ninguém!

A sociedade está cheia de atos violentos. E não só em São Paulo e Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil. Não só no Brasil, mas no mundo.

É uma violência, por exemplo, assistir ao Boechat (jornal da band) ou à Sherazade (jornal do SBT), comparar os manifestantes brasileiros com os franceses ou italianos. Deixando claro que aqueles são verdadeiros bandidos e estes são verdadeiros ideólogos de grande conhecimento político-social. O quanto soa violento ouvir dos dois âncoras dos jornais a ideia de que a sociedade europeia é verdadeiramente democrática e seu povo uma classe política social de alto nível; enquanto nós, brasileiros, somos verdadeiros selvagens, fruto de nossa falta de estudo e de nossa descendência.

A imprensa desdenha do povo brasileiro de uma forma tão violenta que mais parece que seus representantes são de outras praias ou canais. Eles preferem o cheiro de xixi e coco dos canais de Veneza; lá eles se purificam. Preferem as artes dos países da Europa do que a arte do Mestre Vitalino. A Tomatina na Espanha tem mais valor que o São João no Nordeste. 

Os profissionais de imprensa são violentos conosco.

A violência que os procuradores do MP cometem aos que pagam seus salários. Fechar os olhos enquanto uma Organização Criminosa desviou dinheiro público do Metrô de São Paulo durante vinte anos. Isso é uma grande violência!

E o que dizer dos nossos políticos? Eles continuam agindo com violência quando desviam dinheiro público da merenda, da verba encaminhada para comprar uniforme escolar, do remédio do posto de saúde, da construção da estrada e da ponte, da reforma da escola... 

É uma violência prefeitos pagarem cinquenta reais por um comprimido que custa vinte centavos! É ou não é uma violência?
 
Há violência por toda parte. Ouvi um vereador dizer que mendigos deveriam virar ração para peixes. 

Ver um deputado federal esmurrar um senador da República no estômago.

Um tenente-coronel da PM, embriagado, ser parado pela blitz e usar de abuso de poder para não ser punido pela lei seca.

Um senador da República não aceita fazer teste do bafômetro.

Um governador deixar à disposição da babá de seu filho um helicóptero de milhões de reais. 

Padres e bispos se aproveitando de crianças e adolescentes indefesos.

Empresários sonegando impostos.

A violência não é uma ação cometida unicamente pelos Black Blocs. A violência cometida por eles é, na verdade, consequência de muitas outras que estão sendo cometidas por vários setores da sociedade.

Quando o Estado não encontra tempo para ouvir o povo, quando os que deveriam investigar se aliam aos corruptores, quando a imprensa coloca como objetivo a manipulação da população, quando agentes públicos agem como detentores do poder... Nascem no meio do povo os revoltosos.

E olha que ainda não surgiram nem os heróis desses revoltosos!

“Não é por um povo que combatemos, mas pelo universo! Não pelos que vivem hoje, mas por todos aqueles que existirão!"
(Robespierre - o principal responsável pela Revolução Francesa)




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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O Brasil não é governado/administrado apenas pelo governo federal.











A população tem ido às ruas todos os dias. Seja qual for o motivo, as pessoas têm se organizado e mantido o desejo de mudar a sua rua, seu bairro, sua comunidade, sua cidade, seu estado e seu país. O Movimento Passe Livre tem sido reforçado em quase todos os grandes municípios. E tem sido crescente a adesão de jovens estudantes simpatizantes do grupo Black Bloc.

A comunidade enxergou que de nada adianta querer exigir mudanças daquele que ocupa o mais alto posto, no país. Percebe-se, que os gargalos, os problemas dos nossos bairros, da nossa comunidade e de nossa cidade, se devem mais a falta de responsabilidade e descaso dos gestores bem próximos a nós.

O livre acesso ao transporte coletivo, essa é uma questão que está na pauta das reivindicações da sociedade, porque ela acredita que é possível. Se o Brasil pode ter o mais caro Parlamento do mundo, pode ter transporte gratuito para todos, também. Para isso bastava acabar com a função de vereador. É tão inútil a função que até paresse que o Brasil é o único país, entre os 190 da ONU, a ter vereadores.

A sociedade percebeu que muitas vezes, são órgãos ou entidades específicas, que estão atrapalhando as melhorias sociais. O governo federal até tem mostrado boa intenção, no processo de melhoria da sociedade. Buscando desenvolver mecanismos que elevem a qualidade de vida das pessoas. Mas outros governantes, políticos e setores da sociedade têm criado barreiras para vetar, postergar, eliminar qualquer possibilidade de melhora.

A sociedade passou a ver os opositores do governo federal com outros olhos. 

Pessoas que se dizem de preferência política de Direita, passaram a não entender a posição dos políticos de Direita. Assíduos telespectadores de telejornais, leitores de revistas nacionais, se sentiram ofendidos com a opinião contrária ou com a omissão daquele veículo de comunicação sobre determinado assunto que veria melhorar a nossas vidas. Por exemplo, como puderam ser contra a diminuição da conta de energia, da inclusão de negros nas Universidades, na contração de médicos e tantos outros programas e iniciativas do governo federal?

A sociedade passou a questionar o papel da imprensa brasileira. Por que o JN omitiu a pesquisa Ibope, em que Dilma ganha para seus opositores em qualquer cenário? Por que a imprensa tem se preocupado em cobrir o batizado do neto da rainha Elizabete e não tem tido nenhum interesse em falar do desvio de dinheiro durante vinte anos de governos tucanos em São Paulo? Por que o Jornal da Band tem realizado uma enorme pressão contra o aumento do IPTU da cidade de São Paulo e não mostra interesse nenhum nas denúncias do Propinoduto Tucano?

Vejam que, o aumento do IPTU é um ato legal. Por mais alto que seja o aumento proposto pelo prefeito, ainda que seja absurdo, ele é legal. Mas, os vinte anos de desvio de dinheiro público do metrô é vergonhoso e inaceitável, imoral e ilegal. Então por que não está tendo pressão da imprensa?

Com isso, a sociedade passou a perceber que instituições públicas e até mesmo particulares, emperram as melhorias sociais ou estão desempenhando suas funções aquém do esperado. Já foi dito, sobre as empresas de imprensa, mas, há outras.

Outro exemplo: grupos da sociedade não querem mais que animais sejam utilizados como cobaias. Nem que para isso eles, com a ajuda dos Black Blocs, invadam áreas particulares e salvem os cachorros, gatos, porquinhos da Índia, ratos, baratas, entre outros animais. Vejam a que ponto chegou o entendimento da sociedade sobre o meio, o país e o mundo. Para quem analisa essa questão como “um bando de anarquistas, vagabundos, bandidos invadindos laboratório e soltando os animais”, não tem nenhuma ideia do que está acontecendo.  

Desculpe ter de voltar novamente a esse assunto, mas é porque, em matéria de absurdo, essa está no topo. A sociedade está pasma, com a possibilidade de uma quadrilha estar operando a vinte anos no Estado de São Paulo, desviando dinheiro público, sem que o Ministério Público tenha notado. 

Vinte anos é muito tempo. O que os procuradores tucanos fizeram ao longo desses vinte anos? 

E o pior é que, mesmo diante dos fatos, o MP-SP ainda não se empenha para apurar o caso, como diz o Jornal Folha de São Paulo, hoje em seu editorial, alertando ainda que "não deixa de ser curioso que, por enquanto, o maior empenho venha de um país (Suíça) que pouco tem a ver com a história". 

Chega a ser vergonhoso o que está acontecendo no MP de São Paulo.

E essa imprensa que, quando quer, faz uma investigação criteriosa, como ninguém mais consegue fazer, simplesmente se cala.

Daí a sociedade tem tido provas de que existe um verdadeiro conluio entre políticos, imprensa e órgão de investigação.

A nítida negação de exercer a função a qual foi criada, por parte de setores da sociedade, tem contribuído sobremaneira para essa revolta social. O pior é que eles nem percebem. Enquanto imprensa continuar se portando como partido político, Ministério público ficar cego diante das provas contra seus padrinhos políticos, conselhos de entidades profissionais se mantiverem contra aquilo que deveriam defender, haverá aumento dos protestos e cada vez mais o fortalecimento de grupos “radicais” como os Black Blocs.

Quando presenciarmos carros de emissoras de mídias sendo queimados nas ruas, órgãos públicos invadidos e depredados, batalhas campais entre manifestantes e polícias, tenham a certeza que aqueles que estão mascarados não são os únicos culpados.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Black Bloc – o Estado não tolera os “diferentes


Essa foi a resposta de um integrante do Black Bloc do Recife, mês passado, quando foi indagado por um repórter do Diário de Pernambuco, sobre a aversão que a sociedade tinha por eles. O repórter foi taxativo: a sociedade tem medo de vocês, ela está contra vocês.

Talvez seja essa áurea de deuses que assola o imaginário dos profissionais de imprensa e faz com que eles generalizem suas análises, quase sempre.


Na verdade, a sociedade brasileira sempre teve dificuldade para atender e entender os “diferentes”. A ferramenta usada contra os protestos, a violência das autoridades de segurança, foi a pior das opções escolhidas pelo Estado, como solução do "problema".

Nós temos um péssimo defeito, criticar sem antes analisar.

O uso desmedido da força, somado a uma classe política fechada ao diálogo e uma imprensa que só enxerga problemas e mazelas no Brasil, trouxe de volta o movimento adormecido, em cada um de nós, conhecido como Anarquismo.  

Reconheçamos! Todos nós temos vontade de fazer o que muitos deles estão fazendo. A diferença entre nós e eles, é que eles não ficam apenas na vontade.

Há várias ramificações anárquicas. A dos jovens brasileiros precisaria ser melhor estudada. Mas, pelo que parece, o Estado quer na verdade é acabar com ela, o quanto antes. E é aí, onde está o perigo. 

Nos últimos dias, governantes, ministérios públicos e justiça, vêm desencadeando ações contra os membros do Black Blocs. Exigência de identificação, proibição do uso de máscaras, proibição de perfis em redes sociais, entre outras medidas proibitivas. Os mesmos que exigem, dos membros dos Black Blocs, fecham os olhos para seus próprios pares, delinquentes. A classe política brasileira é o que se pode chamar de Bandida. 

Classe política Bandida.
Justiça Bandida.
Imprensa Bandida.

Quantos políticos, promotores, juízes, profissional da imprensa desse país, embora com identificação, nome e sobrenome, dinheiro e status, são verdadeiros bandidos?

No Rio de Janeiro, hoje, uma ação da polícia civil prendeu três administradores da página Black Blocs, no Facebook. Em Recife, o presidente da Câmara de vereadores, ordenou o fechamento dos portões e portas do prédio da sede legislativa do município, após a investida de grupo de manifestantes que pediram para conversar com  uma comissão da casa.

Ao invés de dialogar com eles o Estado quer calá-los? 

Imagine a “casa do povo” fechada, justamente, para o povo!



Só falta eu ser preso, pelo Estado perceber que esse texto me coloca próximo deles.

Na página do Black Bloc, eles aconselham seus membros a usar mochilas nas costas, com materiais resistentes dentro. 

“É pra proteger contra os cassetetes. A polícia bate primeiro nas costas”. Diz um dos mascarados.

“Não levem nada cortante. Você não vai ferir ninguém. Só vai se defender e fugir”. Diz um outro anônimo.

Eles se classificam como: os que vão na frente! Preparados para levar “porrada” pelos demais manifestantes. A parte mais difícil, mais “suja”, fica pra eles.

No protesto contra a Globo, em São Paulo, manifestantes levaram esterco de boi para jogar na frente do prédio da emissora. Os Black Blocs chegaram e pegaram, com as próprias mãos, a merda bovina e jogaram no escudo da Globo. Não se contendo ainda, pularam a cerca e destruíram a marca global presa na parede. 

Diferente do que setores da sociedade tem tentado nos fazer acreditar, os Black Blocs, possuem laços de solidariedade. Eles se auxiliam mutuamente, sentimentos valorizados pelo grupo.

Um outro ponto errado de avaliação sobre eles, é o que os classificam como "sem ordem". 

Aliás, a ausência de ordem, o extremismo dos anarquistas, não condiz com a realidade desses jovens do Black Bloc Brasileiro. Pelo menos, ainda não.

Mas o Estado aos poucos com suas ações excludentes, está fortalecendo-os e deixando-os cada vez mais indignados.

Atacá-lo naquilo que ele mais abomina, a coerção, é uma perigosa estratégia.

Como o Estado pode garantir a paz agindo com violência?

O diálogo não seria o caminho ideal?

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O que há em comum entre: Martin Luther King, Oprah Winfrey, Micheline Borges, Black Bloc e médicos cubanos.





















Essa semana o mundo lembrou o discurso memorável de Martin Luther King. O sonho do símbolo dos direitos humanos ainda não foi alcançado, nem nos EUA, nem no Brasil e nem em lugar nenhum no mundo. Em toda parte, por todos os lados, o preconceito contra negros tem sido sentido e expressados de várias formas. Talvez a figura do Luther King e seu discurso não teriam se eternizados não tivesse sido assassinado. 

Se nem nos EUA o preconceito contra negros acabou, imagine nos países pobres do mundo. Na África, por exemplo, tribos inteiras estão sendo dizimadas, principalmente por serem negros. O mundo sabe pouco o que acontece na África contra os negros.

Por aqui, no mundo "civilizado", há poucos dias, a apresentadora americana Oprah Winfrey, foi vítima de preconceito em Zurique, na Suíça. Uma vendedora de uma loja se negou a lhe mostrar uma bolsa, alegando que a peça era muito cara. Dando a impressão que a Oprah não teria condições para compra-la, por ser negra. Segundo a apresentadora, a vendedora explicou que a bolsa era um modelo exclusivo criada para a atriz Jennifer Aniston (branca) e que custava 86 mil reais. Oprah disse que teve vontade de comprar toda a loja ao som do filme Uma Linda Mulher. Oprah tem sua fortuna estimada em quase três bilhões de dólares.

Mas afinal, o que faz as pessoas serem avaliadas pela cor da pele? E o pior: o que faz pessoas acharem que só quem deva ser bem atendido, ou tenha direitos, ou seja, digno de respeito, sejam os brancos?

Talvez possamos responder a essas e outras perguntas analisando o perfil da jornalista Micheline Borges, que num comentário desastrado, esboçou a opinião de muitos outros jornalistas e médicos brasileiros. Aquilo que muitos “formadores de opinião” da grande mídia e representantes de instituições médicas queriam dizer, foi materializado na postagem da jornalista Micheline Borges. 

Dizer que as médicas cubanas tinham "cara de domésticas" e que médico "geralmente tem postura, tem cara de médico, se impõe pela aparência", é de uma falta de conhecimento humano enorme! É preciso saber onde, em que mundo essa jornalista se formou, para tentar entender tanto preconceito. Não é possível que ela tenha adquirido tudo isso sozinha.

Relacionar cor da pele com a profissão da pessoa é algo doentio! 

Médicos, jornalistas, engenheiros, são profissões exercidas por brancos de olhos azuis. Domésticas, porteiros, pedreiros, são profissões exercidas por negros.

Agora mesmo, o Brasil experimenta algo novo na sociedade. O modelo extremista de fazer protestos está sendo vinculado ao grupo Black Bloc, que numa tradução para o português seria o Bloco de Preto. Esse grupo, por enfrentar a polícia, mascarados e de preto, estão recebendo críticas pesadas por parte da sociedade que não aceita o comportamento anárquico. 

Esquecemos muitas vezes, que esses jovens, mascarados de preto, são nossos filhos e netos. E que embora estejam de preto, vejam que ironia, são em sua grande maioria, brancos.

Diante das cenas de preconceitos que estamos assistindo no Brasil, principalmente contra os médicos cubanos, será se, ao invés de Black Bloc, esse grupo chama-se White Bloc, haveria tanta indignação e críticas aos estragos que eles têm provocado na sociedade?

Outra pergunta para reflexão:

Se médicos negros brasileiros fizessem um corredor polonês por onde fosse passar um médico americano branco, e o chamassem de “branquelo” escravo, será que o Ministério Público não entraria com uma ação de crime de xenofobia contra os médicos negros brasileiros?

Heimnnn!!!!