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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Estarrecedor! Parte 3



As gravações do sérgio machado tem sido de um valor incomparável. 

Em uma semana, ele conseguiu mostrar o verdadeiro caráter desse grupo que está a dominar o país com suas maledicências. Uma verdadeira Organização Criminosa é o que representa essa turma que se apoderou, de forma fraudulenta, do nosso país.

Os atos e fatos que estão sendo produzidos pela turma da globo, é estarrecedor.  Não há um dia que não seja descoberta alguma falcatrua dos homens "probos" que estão desgovernando o Brasil. 

Hoje, por exemplo, descobriram que partidos políticos financiam o grupo fascista mbl. Claro que isso nós já sabíamos, mas, é muito importante provar a participação do psdb, pmdb, dem e sd, como mantenedor desses grupos fascistas que levaram parte da população às ruas, com um discurso de apartidarismo e combate a corrupção. Quando, na verdade, eram e são os verdadeiros corruptos que financiavam.

Tudo que se refere ao governo temer, tem provocado preocupação. Desde a demissão do garçom "petista" que trabalhava no Planalto, até os 170 bilhões que o Congresso permitiu a ele gastar. Um fato que tem mostrado muito bem a cara do governo golpista, é a tentativa de desmanche da EBC - Empresa Brasil de Comunicação. O temer preocupado com a audiência da EBC, que já tirava pontos do ibope da globo, principalmente do jornalismo, decidiu atacar ferozmente a EBC.

Mas, diante da maior organização criminosa jamais vista no Brasil, o delator sergio machado classificou entre todos eles, o mais corrupto. Confesso que não imagina que o Pauderney Avelino, deputado do dem, companheiro do agripino e do caiado, pudesse ser o mais corrupto. 

Bem! O machado que conhece todos eles, conviveu com eles, é quem sabe.

Mesmo diante das mais vis atuações desse governo Golpista, e olha que tem o serra, o padilha e moreira franco que não foram mencionados nesse momento, mas, o fato que mais chamou atenção foi o protagonizado pelo poderoso ministro da educação.

Eu prefiro nem comentar!

Deixarei a arte gráfica reproduzida do facebook falar por mim.

 
O povo de Belo Jardim (PE) precisa fazer um desagravo a esse ministro da deseducação.   

sábado, 16 de maio de 2015

O ódio ao Mais Médicos, continua.


O ex ministro da saúde e petista, Alexandre Padilha, o responsável pela criação do Programa Mais Médicos, do governo Dilma Rousseff, foi hostilizado ontem por um cidadão raivoso, cheio de ódio e sem nenhum controle mental, em um restaurante em São Paulo. 

O cliente chamou a atenção de todos no local, batendo numa bandeja de prata com uma colher de prata, proferindo um discurso contra o ex ministro. Pedindo palmas "para o homem que torrou UM BILHÃO de reais, dos nossos bolsos, no Programa Mais Médicos".  

Estupidez!
É a única palavra que logo vem a cabeça ao ver o vídeo. 

Vivemos no país livre em que todas as pessoas [repito: TODAS AS PESSOAS] tem o direito de entrar num restaurante e jantar com amigos sem ser afrontado, ridicularizado ou molestado. Isso aqui é uma Democracia.

A sociedade brasileira está vivenciando algo inacreditável. Mais precisamente a sociedade paulistana. 

Padilha criou um programa revolucionário na área da saúde. Levou médicos para regiões brasileiras onde nunca havia chegado organismos de saúde. Travou uma luta descomunal com entidades médicas, mídia, oposição e grupos elitistas, para enfim consolidar um Programa que é exemplo no mundo.


O Brasil hoje é assistido em todas as regiões pelo Serviço Único de Saúde. Não há um município brasileiro que não tenha assistência médica.


E por isso, o Alexandre Padilha é agredido covardemente por pessoas que felizmente não dependem do Mais Médicos e se dão o direito de criticar, pedir o fim do programa e achar que investir UM BILHÃO na saúde do povo é desnecessário.

Fiz um cálculo rápido aqui, se o governo gastou UM BILHÃO, até aqui, com o Mais Médicos, e vem atendendo 63 Milhões da população, isso nos dá um gasto per capita de R$:15,87.

Sinto muito orgulho de está contribuindo com o Programa Mais Médicos com o dinheiro do meu bolso, fruto do meu suor, dos impostos que pago. 

É bem melhor que o meu dinheiro seja gasto com Programas voltados para o povo brasileiro, do quer, ir parar no hsbc da Suíça, ou ajudar empresas de avião falida, como a BRA, por exemplo.

Reproduzo aqui a resposta de Alexandre Padilha, a esse ato animal de mais um algoz da direita brasileira. 

Em vermelho, na cor do PT. Em homenagem ao Padilha, futuro governador de SP.


"Toda vez que uma pessoa que nitidamente nunca passou pela dificuldade de não ter médico no seu bairro, comunidade ou família faz um gesto de ódio ao ‪#‎MaisMédicos‬, fico mais orgulhoso do programa que criei e implantei e de toda luta contra a intolerância, arrogância e descompromisso com os que mais precisam que empreendi quando Ministro da Saúde do Brasil.


Hoje os jornais estamparam mais uma vitória do Mais Médicos. A nova etapa mobilizou apenas médicos brasileiros. Atingimos o universo de mais de 18mil médicos, atendendo mais de 63 milhões de brasileiros que não tinham médico. Isso foi possível por dois motivos. Diferente do desejo de alguns, dos cerca de 14 mil médicos recrutados a partir de 2013 a desistência foi ínfima até 2015. O segundo motivo é que o programa criado pela minha gestão no Ministério da Saúde em 2011 (PROVAB), que garante pontos para o concurso de residência (especialidade) para médicos brasileiros que atendem nas periferias revelou-se um sucesso e, agora, os inscritos em 2015 foram incorporados ao Mais Médicos.

Em junho de 2013, o governo brasileiro iniciou uma longa batalha para aprovar a implantar o programa Mais Médicos. Seu objetivo: levar à saúde para mais perto daqueles que, por não terem plano de saúde, por não poderem pagar por uma consulta particular, não tinham direito ao cuidado e ao acolhimento que só o atendimento médico pode oferecer em um momento de tanta fragilidade como o da dor, o da doença.

Na ânsia de afrontar os que mais precisam, a democracia é desrespeitada. A democracia deve ser exercida para a liberdade. Somos um país democrático também em suas ideias, em seus anseios. O respaldo do Mais Médicos não é dado por mim. É dado pelos brasileiros e brasileiras atendidos pelo programa, que antes ansiavam pela presença de um médico, e por mais de 80% de toda população brasileira.

O último ato de agressão foi inusitado. Hoje fui convidado para um almoço em um restaurante no Itaim Bibi (bairro de classe média alta paulistano) com amigos de infância. São pessoas com quem convivo há mais de 30 anos. Uma amizade que sobrevive a tudo: distâncias e diferenças futebolísticas e políticas. Os respeito, convivo, divirto-me com eles tanto como com as outras amizades, que conquistei ao longo da minha vida profissional em comunidades da periferia e da Amazônia brasileira e na militância política.

Talvez para a repugnância de alguns e dos detratores da intolerância, sim, tenho amigos da elite econômica paulistana e outros tantos tucanos, neoliberais e neoconservadores. Parte disso, pois minha família com muito esforço me garantiu a oportunidade de convivermos mesmas escolas e estudar na USP e na Unicamp. Divergimos em opções de vida, profissionais e na política, mas essas amizades sobrevivem apesar do clima de agressão, desrespeito, ódio e intolerância que alguns buscam aquecer no país e na nossa cidade.

Tudo ocorria normalmente quando de súbito um senhor que já se retirava começou a fazer um discurso, sendo filmado em vídeo pelo seu colega de mesa. Embora tenha buscado chamar a atenção do salão, talvez imaginando que seria solenemente aplaudido, foi absolutamente ignorado pelas dezenas de pessoas durante o seu ato de agressão. Apenas seu colega de mesa o aplaudiu. Após sua retirada, os garçons, as pessoas de outras mesas e o proprietário do estabelecimento prestaram solidariedade a mim. Meus amigos, que divergem das minhas posições políticas, ficaram indignados e certamente terão posições de maior rechaço a qualquer postura de intolerância, falta de educação e agressividade que alguns oposicionistas do Mais Médicos ainda alimentam pelo país. Paradoxalmente, episódios como esse são capazes de despertar cada vez mais as pessoas para que a democracia possa conviver com a diversidade e a diferença.

Já é um desrespeito aos meus direitos individuais alguém imaginar que pode me agredir em público e fazer uso dessa imagem. É um desrespeito ainda maior quando isso envolve direitos individuais dos meus amigos, que ao contrário do que pode-se pensar, não possuem nenhuma vinculação partidária nem política comigo.

Essas agressões não me abalam. Enfrentei alguns colegas de profissão para defender o Mais Médicos. Pelas pessoas beneficiadas pelo programa, venci preconceitos e mentiras. Não é qualquer coisa que me deixa perder o rumo e o foco. Muito menos me faz levantar de uma mesa repleta de amigos. Tão pouco me impressionaria com um agressor e um aplauso solitários de quem não encara um debate democrático e prefere a agressão e a fuga.

No ano passado, percorri todas as regiões do Estado de São Paulo – o que possui a maior elite econômica, o mais rico do país e o que mais pediu por profissionais do Mais Médicos desde a primeira fase até hoje -. Não foram poucos os depoimentos de agradecimento pelo programa. Ter a certeza que o Mais Médicos mudou a vida de milhões de brasileiros é a confirmação de que estamos melhorando a vida das pessoas, principalmente das que mais precisam, cada vez mais. Ainda precisamos fazer muito para melhorar a saúde do país. O Mais Médicos é apenas o primeiro e corajoso passo, dado enquanto fui ministro da Saúde pela presidenta Dilma, para que a saúde brasileira seja universal.

Posso deixar alguns frustrados, mas saibam que agressões como essa não me inibem, não reduzem meu convívio com amigos, sobretudo os não petistas, nem farão com que eu deixe de frequentar qualquer lugar. Sou feliz por ter amigos no Itaim Bibi e no Itaim Paulista e gosto muito de cultivá-los. Tenho muito orgulho de ter criado o Mais Médicos e, como disse, já enfrentei muito mais do que agressor solitário para implantá-lo."

Alexandre Padilha - facebook

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Enfim, o Mais Médicos foi sancionado.



Assistindo ao pronunciamento da Presidente Dilma Rousseff, na cerimônia de sanção do programa Mais Médicos, percebo o quanto é difícil governar esse país. Pelo menos para um governo de esquerda. Nem mesmo a concretização de medidas que possibilitam melhorias para população, são aceitas com menor grau de rejeição e críticas. Há sempre um alarido. Posicionamentos que nos deixa boquiabertos. Por mais comprovadas que seja de interesse público, haverá sempre opiniões contrárias e ações de impedimento.

Foi assim com a diminuição da energia. Quem em sã consciência poderia imaginar que surgiria algum político contrário à proposta de diminuição do preço da conta de energia? Pois bem! Surgiu não só políticos, como partidos políticos, setores da imprensa e até mesmo, pessoas comuns da sociedade. Governos estaduais fincaram o pé e não compartilharam a ideia.

Foi assim com a medida provisória dos portos, que tirava das mãos de “empresários” o monopólio dos portos. Porque não podemos mais deixar nas mãos de poucos, aquilo que deve pertencer a maioria do povo brasileiro. Mesmo sabendo que durante décadas, esses “empresários” que administravam os portos, eram os responsáveis pela burocratização e não modernização do setor, mesmo assim, surgiu políticos, partidos, setores da imprensa e mais uma vez, entidades trabalhistas, pessoas comuns da sociedade, contrários a medida.

Aconteceu ontem, com o Leilão da Bacia de Libra. Várias entidades encaminharam a justiça pedido de cancelamento do leilão. Grupos se reuniram para protestar contra o evento. Houve confronto com policiais, destruição de bens públicos, por parte dos manifestantes, e mais uma vez, muita falta de conhecimento sobre o que estava em jogo. Lá estavam, reunidos contra as medidas que fortalecem o Brasil, políticos, partidos, setores da imprensa, e pessoas comuns da sociedade.

No Mais Médicos, a reação de parte de setores da sociedade contrários ao programa, chamou atenção dos governos. Porque a medida não foi exclusivamente imposta pelo governo federal. Foi uma solicitação dos prefeitos dos mais de 5600 municípios espalhados pelo Brasil. A saúde estava um caos, principalmente pela falta de médicos. Ainda que não tenha nenhuma  condição física, ainda assim, nada é mais importante que a presença de um médico. E por mais que o governo explicasse que o Mais Médico era mais que simplesmente trazer médicos estrangeiros, os críticos em seu radicalismo, não aceitavam o programa.

Mas, o que na verdade está por trás da negação, por parte dos CRMs, CFM, de setores da sociedade, de parte da imprensa, de políticos, de partidos políticos e de pessoas comuns, ao Mais Médicos?

Medo, inveja, falta de conhecimento (alienação) e maldade, muita maldade.

Enfim foi sancionado o Mais Médicos. E a imagem que fica é do médico cubano, Juan, sendo aplaudido de pé, por todos, depois de um justo pedido de desculpas do governo brasileiro pela recepção desastrosa e preconceituosa que ele recebeu de “profissionais” de medicina no Ceará.

Até pode ser difícil para um governo de esquerda governar o Brasil, mas, pelo que parece, não é impossível.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

CRM encontrou primeiro erro médico no Mais Médico


No Final de agosto publiquei no meu perfil do face (Mil ton) uma preocupação pessoal com atitudes cometidas pelos Conselhos de medicina, tanto o federal como os regionais. Numa de suas notas, na ocasião, o CFM relatou o seguinte:

“O CFM em nota divulgada, diz ser contra atos de preconceito contra cubanos. E volta atrás sobre a questão de orientar os médicos brasileiros a não atender pacientes de erros médicos, cometidos pelos cubanos. Orienta sim, preenchimento de relatório minucioso sobre esses casos”.

Na ocasião me chamou atenção a orientação do órgão máximo de fiscalização da medicina, sobre preenchimento de relatório minucioso sobre erros, cometidos pelos profissionais do Mais Médicos, em especial, os cubanos.  

O que na verdade queria dizer o CFM com isso?

Diante de tudo que foi exposto, contra o Mais Médicos, pelos CFM e CRMs, alertei os amigos do face, para uma possível perseguição aos médicos estrangeiros (do Mais Médicos), que poderiam ter seus diagnósticos médicos questionados pelos referidos órgãos.

Longe de mim aceitar que os órgão de fiscalização da medicina fechassem os olhos para possíveis erros dos médicos do programa, mas, por que eles mereceriam uma fiscalização "tão minuciosa", se sabemos que tanto o CFM quanto os CRM, são burocráticos e irresponsáveis, quando tratam dos erros de seus afiliados. Basta ver o número de erros médicos no Brasil, para constatar a irresponsabilidade e o corporativismo da classe.

Relatei na época minhas preocupações dizendo: 
 
- a partir de setembro vai aparecer na imprensa milhares de relatórios do CFM demonstrando erros de médicos cubanos.
- ainda que não existam os erros, serão criados.
- o CFM já mostrou que não tem nenhuma integridade, não é uma instituição confiável em matéria de honrar normas e procedimentos.
- a avaliação que temos sobre as pessoas que estão a frente dessas instituições são as piores possíveis. São pessoas sem escrúpulos, capazes de qualquer coisa para atingir os seus objetivos, meramente políticos e de poder".

- O CFM é hoje uma ferramenta política a serviço de setores da elite e dos partidos de direita desse país.

Reforço aqui a ideia de falta de integridade e escrúpulo dos conselhos de medicina .
 
Pois bem!

Surgiu o primeiro caso de erro médico do programa Mais Médico. O Ministério da Saúde está investigando o erro de um médico argentino que prescreveu uma dosagem 300% mais do que ideal.O caso ocorreu no RS e tem tomado grande repercussão na mídia e nas redes sociais. 

A impressão que dá, lendo os comentários dos que são contra ao Mais Médicos, é que no Brasil não há registros de erros médicos anteriores aos causados pelos profissionais de medicina do Mais Médico.

Aos que torcem pelo fracasso do programa, um lembrete: erros médicos ocorrem nos melhores hospitais, tanto públicos como particulares. E no caso dos públicos, os CRM muitas vezes nem tomam conhecimento dos fatos. Existe um corporativismo explícito entre os conselhos de fiscalização da medicina e os profissionais de medicina. O que se tem conhecimento, é de médicos trabalhando sem registros, falsos médicos exercendo a profissão, médicos que comparecem aos hospitais apenas para bater o ponto, uso de dedos de silicone para registrar presença no trabalho, entre outros erros médicos. E na maioria das vezes não vemos a mesma repercussão desse caso do médico argentino.

Sobre o suposto erro médico, o presidente do CFM disse, todo sorridente: Não estamos surpresos com isso e até já esperávamos. Ainda vão surgir muitos outros casos. O Mais Médicos é uma medida eleitoreira que não vai resolver os problemas da saúde pública no País.

Assim como é na vida pessoal é na vida pública. Tem quem torce para dá certo, mas, tem os que torcem para dá errado.

Portanto, precisamos publicar nas redes os erros médicos espalhados por todo o Brasil, para mostrar aos que não concordam com o Mais Médicos, que existe mais erros médicos nesse país do que na realidade imaginamos. Pessoas entram no hospital com uma dor no peito e saem sem as pernas, vai operar o membro superior direito e tem o esquerdo operado, recebe sopa na veia ao invés de soro, médicos esquecem tesouras, alicates, gazes, dentro dos pacientes, sem que a sociedade tenha conhecimento.

E o que os CRM e CFM estão fazendo a respeito disso?

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

2º texto reproduzido no blog - Entrevista de Lula à revista Brasileiros


Sem tempo para escrever minha visão sobre o mundo, estarei produzindo textos de outros autores, entrevistas, pensamentos...
Segue a entrevista de Lula à revista Brasileiros.

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Matéria originalmente publicada pela “revista Brasileiros” em:  www.revistabrasileiros.com.br/2013/08/19/o-brasil-fora-do-brasil/. 

Brasileiros – Qual a meta desse encontro?

Lula –
 Debater a questão da segurança alimentar na sede da União Africana é tentar despertar nas pessoas a certeza de que cada país deve fazer aquilo que é sua obrigação, ou seja, incluir os pobres no centro das decisões do governo. Colocar o pobre dentro do orçamento da União é o primeiro passo para entendê-lo como solução e não como problema. O pobre é um problema enquanto está na miséria. Quando ele vira produtor, consumidor, ele se transforma em solução para o próprio país. A ideia é tentar dizer: se no Brasil foi possível fazer uma política inclusiva, que levou tanta gente a conquistar cidadania, a melhorar de vida, por que não se pode fazer em outros países? E não tem política paliativa. Ou coloca-se no orçamento da União a parcela de transferência de renda para os pobres, ou ela não vai acontecer.

Brasileiros – Desde que voltou o seu olhar para a África, o senhor notou alguma mudança?

Lula –
 Essas coisas não acontecem com facilidade. Primeiro, é importante saber por que eu me voltei para a África. Em janeiro de 2003, quando fui a Davos (para o Fórum Econômico Mundial, que reúne líderes da economia global na estação de esqui suíça), decidi que era preciso mudar um pouco a geografia política até então estabelecida. O Brasil e os países da América do Sul estavam voltados só para os Estados Unidos e para a União Europeia. Os países africanos também estavam voltados para a Europa e os Estados Unidos. E começaram a olhar para a China. O Brasil, que é o maior país da América do Sul, que tem uma fronteira gigantesca com a África, separada [ou unida?] pelo Oceano Atlântico, não tinha contato com o continente africano.

Brasileiros – Isso significou mudar a política externa?

Lula – 
Eu dizia que precisávamos continuar com a parceria com os Estados Unidos e a União Europeia, que são muito importantes, mas também procurar nos aproximar dos nossos [vizinhos]. Como era possível o Brasil ter 17 mil km de fronteira seca com a América do Sul e nunca ter feito uma ponte entre o Brasil e a Bolívia, entre o Brasil e o Peru? O comércio da região estava se esvaindo. Não havia quase interação entre a América do Sul. Era só desconfiança. A África, a gente passava por cima e não olhava. Parecia que o continente africano não existia. Então, criei outra correlação de forças políticas. E trabalhei intensamente a necessidade da construção de uma forte aliança com a América do Sul e com a África.

Brasileiros – Qual o resultado?

Lula – 
Vou dar um exemplo. Saímos de uma balança comercial de cerca de US$ 5 bilhões com a África para mais de US$ 26,5 bilhões, em 2012. É um avanço significativo. Hoje, dezenas de empresários brasileiros viajam para a África. A UNILAB (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) já está funcionando na cidade de Redenção, no Ceará. É para formar jovens africanos, prepará-los para a agricultura, a medicina, a engenharia.

Brasileiros – Redenção aboliu a escravatura antes do resto do Brasil.

Lula –
 Foi a primeira cidade brasileira que libertou os escravos. Por isso, a universidade foi criada lá. A EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está em Acra, em Gana, levantando as possibilidades da savana africana. Ela tem a mesma capacidade produtiva do cerrado brasileiro. Cinquenta anos atrás, o cerrado era visto no Brasil como terra imprestável. Então, acho que nós descobrimos a África. Nos meus tempos do movimento sindical, eu só tinha relação com a COSATO (a maior central sindical da África do Sul). Hoje, mudamos essa realidade.

Brasileiros – Como ficou?

Lula – 
Há enorme quantidade de encontros empresariais. Outro dia, fomos à Nigéria e descobrimos sindicatos querendo atuar junto com a CUT. E vocês mesmos perceberam o interesse que eles têm no Brasil. Até me assusta ver a responsabilidade que eles colocam em cima do Brasil. Mas eu prefiro assim do que a indiferença. Prefiro que eles tenham expectativas no Brasil a acharem que os chineses vão resolver os problemas deles. E acredito que o Brasil tem de agir diferente com a África. Não tem de agir como se fosse um novo colonizador, chegar aqui na África atrás de matéria-prima, de trabalho barato. Não.

Brasileiros – O que tem de fazer?

Lula – 
O Brasil tem de olhar para a África pensando em transferência de tecnologia, da social à industrial. As empresas brasileiras têm de vir aqui para construir parcerias, para ajudá-los a crescer também. Ou seja, o País pode ter novo tipo de relação com a África. Nem ser colonizador como França e Inglaterra, nem predador como a China.

Brasileiros – O prédio onde aconteceu a conferência é impressionante. Custou US$ 200 milhões e foi dado de presente pela China à União Africana. O que o Brasil vai fazer para competir com isso?

Lula –
 Nós não vamos competir nesse nível. A China tem feito isso em vários países. Doou centro de convenções, aeroporto, congresso, sede de governo. O Brasil não tem de entrar nessa. Esse não é o nosso jeito de fazer política. Nós não temos dinheiro para dar, nós temos dinheiro para financiar. Agora, o Brasil, como a sexta maior economia do mundo, pode ter uma política de cooperação um pouco maior, sobretudo na área científica e tecnológica.

Brasileiros – Eles nem falam em transferência de tecnologia. Falam em apoio tecnológico.

Lula – 
Eu estava na Presidência quando criamos na EMBRAPA um centro tecnológico para receber os companheiros da África e formá-los. O meu sonho é formar técnicos agrícolas na África, para que eles aprendam a produzir. Esse é o meu sonho. E o Brasil pode fazer muito. Fico muito feliz que hoje a expectativa dos africanos em relação ao Brasil seja extraordinária. Os empresários brasileiros já estão se convencendo disso. Eu também fiquei muito feliz porque acabou de ser inaugurado um voo da Etiópia para o Brasil. Logo, logo, vai ter um voo do Brasil para Lagos, na Nigéria. Aos poucos, o Brasil vai descobrindo que a África não é um continente só de pobreza. A economia africana está crescendo a 5% há mais de dez anos, a democracia está se consolidando, mais de 300 milhões de pessoas já têm poder de consumo de classe média.

Brasileiros – É uma via de duas mãos?

Lula – 
Lógico. Aqui tem possibilidade de crescer de forma extraordinária. Aliás, o mundo rico deveria colocar a ignorância de lado e perceber algo simples. Na medida em que o mercado no mundo rico está diminuindo, eles poderiam ajudar a fortalecer o mercado africano para terem para quem vender os seus produtos. Ou seja, fazer investimento na África, produzir coisas na África. Cada consumidor africano que surgir vai ser um potencial comprador de produtos. Enfim, eu estou muito otimista com a África.”

Matéria originalmente publicada pela “revista Brasileiros” em:  www.revistabrasileiros.com.br/2013/08/19/o-brasil-fora-do-brasil/. 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Carta aberta aos médicos estrangeiros que estão chegando ao Brasil


Aos profissionais médicos da Espanha, Argentina, Portugal, Itália, Cuba e demais países que aceitaram o desafio de vir cuidar do nosso povo, obrigado!

Meus sinceros agradecimentos pelos Senhores e Senhoras terem aceitado o chamamento do Governo Federal, para atender uma parcela da população brasileira, que tem enfrentado problemas de saúde, principalmente devido à falta de médicos.

Com o Programa Mais Médicos, o Governo Federal enviou um recado a todos, deixando claro o seu enorme interesse e boa vontade em proporcionar o mínimo de atendimento médico recomendado pela OMS, aos brasileiros, ainda que eles estejam nas mais distantes localidades ou periferias dos grandes centros urbanos, não assistidos ou alcançados pelo sistema de saúde.

Temos ciência, Senhores Doutores e Senhoras Doutoras, que a aversão as suas chegadas ao nosso país, não condiz com o sentimento da grande maioria da população brasileira. Principalmente daqueles que esperam, diuturnamente, pela presença de um profissional de medicina, nos hospitais, postos de saúde, aldeias e nos rincões espalhados por todo o Brasil. 

Muitos que criticam, acreditem, o faz(!), por nunca terem precisado esperar meses e até anos, por um atendimento médico. Infelizmente, no mundo, quanto mais afortunadas são as pessoas, menos elas enxergam as necessidades dos mais pobres. Ainda há muita gente que acredita, fielmente, que só elas têm direitos. Até mesmo, direito a um médico.

O povo brasileiro é ordeiro e gentil. Sabemos receber os visitantes em nossas casas. Qualquer ação adversa a hospitalidade do povo brasileiro, cometida por setores da sociedade, “representantes” de instituições de saúde ou até mesmo, oriundas de profissionais de saúde, não espelha o anseio e a esperança do povo, dos que governa o país e nem mesmo de toda classe médica. 

Estamos, na verdade, ansiosos em ver os resultados desse programa. Durante anos formos testemunha do descaso de gestores e do sofrimento de muitos irmãos brasileiros. Muitos pacientes chegaram a falecer na porta dos hospitais e postos de saúdes, sem que houvesse um único profissional da área que lhes prestasse o último auxílio. Que lhes aliviasse suas últimas dores.

A presença dos Senhores e Senhoras representará um divisor de águas na saúde do povo brasileiro. Mudará paradigmas. Acentuará a discussão sobre o ato médico no SUS e a discussão sobre o que é mais importante nos atendimentos médicos particulares e pelo Sistema Único de Saúde. 

Há quem discuta a falta de condições dos hospitais e postos de saúde, mas, faltam (faltava) também médicos. Principalmente “médicos com coração”. Afinal, de que adiantaria estrutura e condições de trabalho de qualidade sem que nela existisse a presença do profissional de saúde.

O próprio Programa Mais Médicos, na intenção mais ampla de reparar gargalos do processo, não estabelece apenas a contratação de médicos estrangeiros, mas também, a reestruturação, qualificação e reordenamento das estruturas físicas, materiais e equipamentos dos hospitais e postos de saúde. Como se vê, a “Revolução da Saúde para Todos” começará por cada um de vocês.

Como brasileiro e um singelo anfitrião, terei o prazer em visitá-los em seus locais de trabalho e lhes oferecer meu apoio, apreço e, sobretudo, minha gratidão.

Sejam bem vindos!