A cena política de 2014 traz um fenômeno eleitoral nunca
visto antes. É claro que político muda de discurso como se muda de paletó,
bastando mudar da situação para oposição ou vice-versa. Críticos ferozes, como
Kátia Abreu, Rosalba Ciarlini e ACM Neto, passaram a fazer elogios a Dilma
Rousseff, depois da mudança de partido [no caso de Kátia] e do apoio do
Planalto aos governos de Salvador e do Rio Grande do Norte.
Não há uma classe mais mutável que a de político. Ministros do governo, por exemplo, que antes propagavam discursos de
apoio ao governo petista, ao entregar a pasta para concorrer a uma vaga nas
eleições de outubro, passaram a criticar ferozmente a presidência da república. É
o caso do ex-ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, que saiu
num dia elogiando e no outro já desferia suas críticas.
Mas há algo que tem chamado mais atenção no cenário político. O
comportamento do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem deixado muita gente boquiaberta pela postura agressiva e, até certo modo, desproporcional e desnecessária, como ele se dirige à Presidenta da República. Os ataques chegam a ser mais que pessoais.
É como se o Eduardo Campos estivesse se preparando não para um embate político, mas
para uma guerra, com o mais denotativo significado da palavra, onde o principal objetivo seria exterminar o inimigo. Que, nesse
caso, pela fúria incontrolada do presidenciável, é a própria Dilma.
Esse comportamento agressivo demonstrado por Eduardo até
pode estar sendo absorvido daqueles que o assessoram. Tem lá o Jarbas Vasconcelos,
Roberto Freire, Bornhausen, Heráclito Fortes, entre outros. Políticos carrancudos, mal-humorados,
detentores de discurso derrotista, que passaram os últimos doze anos a criticar
o Brasil e que são, declaradamente, inimigos de Lula da Silva e de Dilma Rousseff, e de tudo que a eles esteja ligado.
E pensar que imaginávamos que seriam as frases prontas e os discursos sem nexo do fhc e do Aécio Neves que fariam a alegria da parcela da sociedade, conhecida como "Coxinhas". Perto das declarações do Eduardo Campos, as dos tucanos são "fichinhas".
Essa frase, por exemplo: "Avisem a Dilma
que ela está de aviso prévio", diz mais sobre o novo [ou seria o
mesmo] Eduardo Campos e sua trupe do que de qualquer pessoa ou governo que ele tenha tentado atingir.
Mostrar-se como dono do Brasil, assinando o aviso
prévio da Presidenta, desrespeitando a autoridade máxima do país, repetindo um
mantra de superioridade que satisfaz apenas a uma parcela da sociedade que, assim como ele, é incapaz de ver as melhorias produzidas pelo governo petista. Melhorias, inclusive, as quais ele está se esbaldando.
Fazer campanha política caçoando da presidenta, utilizando
expressões de autoritarismo como se superior a ela fosse, não é o caminho ideal
para se vencer a eleição. E o pior, da forma que o Eduardo está sendo “assessorado”, corre um grave risco de criar antipatias com seus próprios eleitores.
Vivemos um novo tempo. Não cabe mais no cenário nacional a
prepotência de um Sérgio Cabral, o destempero de um Carlos Sampaio e a soberba
de um fhc.
Eduardo deveria rever muito do seu comportamento nesse
início de campanha. Mudar alguns assessores [quem sabe?]. Caso contrário, corre
o risco de ficar marcado como político desagradável.
Para quem votou nele duas
vezes, como eu, esse é o sentimento que tenho hoje do presidenciável Eduardo Campos: um político
desagradável.

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