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sexta-feira, 30 de junho de 2017

PN - O Jornalista


A morte é mesmo muito ingrata. Ela leva justamente aqueles que mais gostamos e admiramos. 

Conversei com Paulo Nogueira algumas vezes. Era uma honra tratar de assuntos com o MAIOR JORNALISTA que tive oportunidade de conhecer.


PN, como era chamado no Diário do Centro do Mundo - DCM, site que ajudou a criar e que tem a sua marca, era um profissional inteligente, íntegro e acima de tudo, um apaixonado pela sua profissão. 

Incapaz de manter laços amigáveis com quem quer que seja, para obter furos jornalísticos. Ele sempre dizia que a profissão de jornalista era, sem dúvida, solitária. Que não dava pra ser amigo de políticos ou juízes, por exemplo. 

Que ao escolher o jornalismo como profissão, optou também por viver longe daqueles que um dia, poderiam ser alvo de seus textos.

PN lutou contra o jornalismo burguês empregado no Brasil. Conhecia as empresas golpistas como ninguém. A folha, veja, "grobu" e estadão, as 4 irmãs siameses a serviço da elite escravocrata brasileira. Atacou coerentemente o jornalismo patronal. Aquele o qual os pseudos jornalistas escrevem o que seus patrões determinam. 

PN era a razão. O ponto de coerência do jornalismo brasileiro. Quando não havia explicação plausível sobre um determinado assunto na política brasileira, bastava uma visita no DCM. Em seus textos encontrávamos respostas para nossas dúvidas.

O Brasil perde um grande brasileiro. Um desses difícil de encontrar na política, na justiça e principalmente na mídia. 

PN era o que se pode chamar, de um dos últimos “moicanos” do jornalismo. 

Seu desejo, e ele lutou para isso por meio de seus textos, era um Brasil escandinavo. Um Brasil onde não pudéssemos medir, de tão baixa, a desigualdade entre ricos e pobres.

Joseph  Pulitzer tantas vezes tomado como referência em seus textos, certamente ficaria orgulhoso se tivesse conhecido o PN. Um profissional que respeitou a profissão de jornalista como poucos, aqui no Brasil. 

Agora os dois, Joseph Pulitzer e Paulo Nogueira, poderão juntos, quem sabe, servir de exemplo para os novos profissionais no respeito à notícia, na ética e na importância de contribuir e batalhar por uma sociedade mais justa e menos desigual.

Valeu, PN! Obrigado pelos belos textos.

Que no céu tenha uma máquina datilógrafa em cima de uma mesinha, esperando por você.

"Quem acredita nisso, acredita em qualquer coisa".

domingo, 3 de julho de 2016

Texto Nota 10 - PN do DCM


Esse espaço sempre publicará os textos extraordinários escritos pelos grandes nomes do jornalismo. Aqui já foram expostos textos de PHA, Nassiff, Glenn Greenwald e Alberto Dines. 

Agora mais um Texto Nota 10, essa será a marca daqui pra frente, dessas publicações. 

Dessa vez teremos o Paulo Nogueira (PN) do Diário do Centro do Mundo (DCM).

O texto abaixo reflete o que penso a respeito do assunto. O Partido dos Trabalhadores não é o mais corrupto e nem, claro, inventou a corrupção. E isso tem sido demonstrado nas delações e investigações que tem acontecido nas diversas Operações da justiça, entre elas, a Lava Jato.

E mesmo com toda passividade do moro e da imprensa em ir fundo nas denúncias contra seus protegidos, mesmo assim, chega a opinião pública conteúdos que implicam de forma inquestionáveis os acusados. 

Os "homens honrados" ou, como costumo classificar aqui os protegidos da elite, a "Turma da globo", por mais proteção que exista, eles vão sendo desnudados.

Outra coisa: assim como PN, eu também não sou petista. 

E faço minhas as palavras da atriz global Monica Lozzi: Não sou petista, mas não sou cego. 

Vamos ao textos!


A maior revelação das delações: o PT é o menos corrupto dos grandes partidos. 
Paulo Nogueira
DCM

Um esclarecimento, antes de tudo.
Não sou petista. Não tenho vínculo nenhum com o PT.
É o tipo de aviso que acho detestável, e que abandonei há tempos. Mas neste caso abro uma exceção.
Vamos lá.
As múltiplas delações vão deixando clara uma coisa que não recebeu ainda a devida atenção: ao contrário da narrativa incessante da mídia nestes últimos anos, desde que Lula subiu ao poder, o PT é o partido menos corrupto entre os grandes que estão aí.
Está de fora aí, naturalmente, o pequeno PSOL, um exemplar reduto de integridade e combatividade.
Observe as revelações sobre o PMDB. Numa das últimas delações, surgiu a acusação de que um operador de Eduardo Cunha ameaçou queimar a casa de um delator com os filhos dentro.
De novo: queimar com os filhos dentro.
Não é a primeira vez que delatores narram ameaças físicas associadas a Eduardo Cunha.
Ainda no campo do PMDB, pertencem ao terreno do espanto, também, as delações de Sérgio Machado.
E com Machado vamos ao PSDB, citado por ele. “Fui do PSDB dez anos. Não sobra ninguém”, disse Machado. Mas frase símbolo foi essa: “Todo mundo conhece os esquemas do Aécio”.
Todo mundo não. O público em geral desconhecia as roubalheiras de Aécio, graças à proteção infinita dada a ele pelas empresas jornalísticas.
Um antigo reduto milionário das propinas de Aécio, Furnas, só ganhou os devidos holofotes agora, depois de muitos anos de pilhagem. Delcídio falou em Furnas, Machado falou em Furnas — e a grande imprensa nunca investigou Furnas. Nem ela e muito menos a Polícia Federal.
Aécio virou um campeão de aparições em delações. Consagrou-se como a pior espécie de corrupto: aquele que rouba na sombra e, à luz do sol, faz sermões contra a corrupção.
Virou um morto vivo na política, por isso. Sua ladroagem saiu enfim da escuridão.
Perto do que se sabe agora que ele fez, o aeroporto privado que mandou construir com verba pública perto de sua casa de campo em Minas virou insignificância.
No terreno do PSDB, FHC teve também sua taxa de verdade e de merecidas humilhações nas delações. Ficou claro que o assalto à Petrobras foi enorme em seu governo. O filho de FHC foi citado numa negociata multimilionária na Petrobras.
E Dilma enquanto isso? Nada. De Lula, parece piada neste momento, mas o maior ataque contra ele derivou de pedalinhos.
Um político ligado a FHC, Xico Graziano, alimentou durante muito tempo a fábula de que Lulinha era dono da Friboi. Agora, foram investigar a Friboi no âmbito da Lava Jato e encontraram não Lula, mas Henrique Meirelles, o czar de Temer na economia. Meirelles comandava a Friboi na época em que a empresa é acusada de dar propinas.
E assim, com fatos, se desfaz o mito de que o PT inventou a corrupção no Brasil.
É um efeito colateral, e brutalmente indesejado pela plutocracia, da Lava Jato.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A carta, aberta, de Paulo Nogueira a Aécio.

Aécio fez algo terrível para sua imagem. na verdade, mais uma ação desastrosa. Processar 66 twiteiros, se dizendo perseguido por eles, foi um tremendo tiro no pé.

Primeiro, quem hoje não é perseguido/seguido na rede de computadores, ou está morto ou não utiliza a Web. Depois, um homem público como Aécio, com um passado sombrio, um presente que dá nojo e um futuro incerto, querer que ninguém fale mal dele...

Aécio governou o estado de Minas escondendo dos mineiros fatos do interesse deles. Tendo na sua mão a justiça e a procuradoria do estado, fez e desfez como quis. Mandou e desmandou ao seu bel prazer, juntamente com os seus e a sua irmã, que age com mão de ferro contra todos que se puserem contra seus projetos.

Aécio inventou um tal Choque de Gestão, quando governou Minas, que é o que se pode chamar de DESGOVERNO.

Existe muita coisa escondida em Minas que o resto do Brasil não sabe. Tem fatos que estão sendo esclarecidos agora, na campanha eleitoral, que o povo de Minas está boquiaberto. É tanto que o Aécio não vai se eleger presidente, nem no seu estado.

Se a mídia conservadora, quem deveria ser a responsável de divulgar, não divulga! cabe aos blogueiros sujos essa sagaz missão. Sagaz por ser, certamente, alvo de pressão e processos judiciais que chegam a levar pessoas a prisão. É o caso de um Jornalista e um Doleiro, que estão presos, há mais de um ano, por terem ousado divulgar/acusar o reinado dos Neves.

Paulo Nogueira respondeu ao Aécio, como só ele sabe fazer. Que bom que a carta foi aberta. Assim todos nós brasileiros, começamos a ter uma ideia da visão que tem o presidenciável, queridinho da mídia brasileira, sobre a LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

Liberdade de expressão para eles significa que só eles, apenas eles, podem falar o que bem entender. Quanto a nós...

 Carta aberta a Aécio Neves

 Paulo Nogueira (DCM)

Caro Aécio: qual é seu conceito de liberdade de expressão?
Pergunto isso porque fui surpreendido com uma notificação judicial sua. Soube depois que outros 65 internautas tiveram a mesma surpresa desagradável.
O DCM é acusado de ser um robô ou, o que não melhora muito a situação, “um grupo de pessoas remuneradas para veicular conteúdos ilícitos na internet.”
Primeiro, e antes de tudo, isto configura calúnia.
Somos, como bem sabem nossos 2,5 milhões de leitores únicos por mês, um site de notícias e análises independente e apartidário. O apartidarismo e a independência inexpugnáveis explicam por que crescemos mais de 40 vezes em 18 meses de existência.
Jornalismo, quando se mistura a militância partidária, deixa de ser jornalismo. Essa convicção está na raiz do jornalismo do DCM.
Nossa causa maior é um “Brasil escandinavo”, como gosto de dizer e repetir. Um país em que ninguém seja melhor ou pior que ninguém em razão de sua conta bancária.
É certo que, dentro dessa visão do mundo, entendo que o senhor representa um brutal atraso.
O PSDB, no qual votei várias vezes, lamentavelmente deu nos últimos anos uma guinada profunda rumo à direita e se transformou numa nova UDN.
Hoje, o PSDB simboliza um Brasil abjetamente iníquo. Os privilegiados estão todos a seu lado nestas eleições, e não por acaso.
Caro candidato: nunca vi o senhor, ou algum outro líder tucano, se insurgir contra o mal maior do Brasil – a desigualdade.
Nossos problemas com o senhor residem apenas no campo das ideias.
Não fabricamos fatos, não inventamos coisas que o constranjam, porque não é este o tipo de jornalismo que praticamos.
Mais que isso: não fazemos acusações levianas e irresponsáveis como as que o senhor fez contra nós.
Se condenamos coisas como o aeroporto de Cláudio é porque entendemos que elas são a negação do “Brasil escandinavo” pelo qual tanto nos batemos.
Não admiro sua postura com frequência, reconheço. No debate do SBT, quando um jornalista lhe perguntou sobre a visão de ética tucana depois de citar escândalos como o do Metrô de São Paulo e o Mensalão mineiro, o senhor disse que vivemos num estado de direito.
Ninguém é culpado antes que se apurem os fatos, o senhor afirmou. Perfeito.
Mas poucos dias depois, quando começou a circular uma lista de pessoas citadas por um ex-diretor da Petrobras, o senhor se apressou em fazer uma condenação ampla, geral e irrestrita.
“É um novo Mensalão”, o senhor decretou. Estado de direito, portanto, é para o senhor e os seus amigos.
Para os demais, o opróbrio imediato, a humilhação instantânea.
Notemos também que o senhor prega a meritocracia ao mesmo tempo em que sua irmã ocupa um posto nobre no governo de Minas, pago pelo dinheiro do contribuinte.
Vários relatos contam a dificuldade de fazer jornalismo independente em Minas.
Isso ficou notavelmente claro para mim quando vi a sua notificação judicial contra nós.
Jornalismo bom para o senhor, aparentemente, é o jornalismo que o aplaude.
Fico pensando como seria complicado, para os jornalistas independentes, conviverem com o senhor na presidência.
Felizmente, é uma hipótese de chance virtualmente equivalente a zero.
Por ora, é só.
Provavelmente voltarei a escrever para o senhor assim que ficar mais clara sua ação judicial.
Grato pela atenção.
Paulo Nogueira, diretor editorial do DCM