O messias de toga finalmente desceu ao Supremo Tribunal Federal para nos salvar de nós mesmos, vestindo a túnica imaculada do paladino da justiça e da moral. Nele, a figura de andré mendonça atinge o sublime patamar da divindade jurídica: o enviado do "metido a ditador", o escolhido "terrivelmente evangélico" que encarna a pureza absoluta em meio à lama da República.
É quase possível vê-lo caminhando sobre as águas do Lago Paranoá, operando milagres de retidão, enquanto a corte profana treme diante de tanta integridade, honestidade, moral e santidade institucional.
Mas, como todo bom milagre moderno, a fé exige desapego, especialmente das cifras, o nosso salvador da pátria, que brilha com a luz da probidade, viu-se subitamente abençoado por uma modesta colheita de 54 contratos sem licitação firmados com a administração pública, somando a bagatela de mais de R$ 10 milhões em um instituto de ensino do qual fazia parte.
Coisas da Providência Divina, decerto.
Afinal, quando se é um ser superior acima de qualquer suspeita, os milhões caem na conta quase por obra e graça do Espírito Santo, sem que o humilde ministro precise sujar as mãos com meros detalhes burocráticos.
Diante do alvoroço mundano causado pela revelação da imprensa, o divino mestre optou pela via da humildade franciscana: retirou-se da sociedade do instituto para dedicar-se, agora, apenas ao apostolado das aulas. Nada de contratos milionários para o santo homem, que prefere a pobreza acadêmica após ver seus milhões expostos à luz do dia.
Resta-nos, reles mortais pecadores, aplaudir de joelhos essa alma cândida que, mesmo com os bolsos cheios e o passado extremista de direita abençoado, continua fingindo ser o farol da ética que veio expurgar os pecados do Brasil.
O novo messias da extrema-direita vai precisar de um milagre para salvar a própria biografia.
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