O que aconteceu em Santa Catarina — onde uma militante petista e advogada foi brutalmente espancada por policiais militares — é algo inadmissível, que desafia o bom senso.
Só alguém muito fora de si ou de caráter muito baixo pode concordar com uma violência dessa natureza. As imagens são fortíssimas: derrubaram a mulher, dispararam balas de borracha e agrediram uma advogada de forma completamente injustificada.
Não havia a menor necessidade disso.
Esse episódio lamentável coloca em foco a atuação da Polícia Militar de um modo geral, mas com uma gravidade ainda maior no caso de Santa Catarina. Tudo indica que o aparato de segurança do Estado foi instrumentalizado pelo próprio governador contra as liberdades políticas. Inclusive, circulam registros e declarações que revelam uma postura facciosa, como se houvesse orientação de ignorar ocorrências em eventos de apoiadores das lideranças golpistas, fascistas e milicianas, enquanto manifestações ou festas de petistas seriam alvo de repressão violenta — com a ordem explícita de "arrebentar".
Essa postura faz lembrar tragédias passadas, como o assassinato brutal de um aniversariante cuja festa tinha como tema o presidente Lula.
É profundamente triste constatar a reação de setores da extrema direita nos comentários da internet — muitos deles autoproclamados defensores da família, da moral e dos bons costumes —, que aparecem aplaudindo a violência e fazendo chacota com a agressão.
As declarações atribuídas ao governador Jorginho Mello, que chegou a insinuar que petistas "estão no lugar errado", demonstram uma grave distorção do papel institucional que ele deveria ocupar. Um gestor público que incentiva ou normaliza esse tipo de perseguição perde as condições éticas e políticas para exercer o cargo.
Diante disso, é urgente que o Ministério Público atue com rigor para apurar rigorosamente os fatos e punir não apenas os policiais executores, mas também os mandantes e eventuais responsabilidades políticas no comando do Estado.
O discurso de ódio e a violência institucional em torno desse caso não podem, sob hipótese alguma, passar impune.




