Outro dia, me espantei em saber que os governos gastam, por
mês, cerca de 2.500 reais por cada preso no Brasil. Isso é quatro ou cinco vezes
mais que o gasto por aluno na rede pública. Fazendo um cálculo rápido: se temos por volta de 600.000
detentos em todo o país, isso daria um gasto mensal de Um Bilhão e Meio na manutenção dos presídios brasileiros. Eu até acredito que seja esse o valor
repassado pelos governos, mas que esteja sendo gasto exclusivamente com
detentos?
Diante das péssimas condições apresentadas nos presídios
brasileiros, eu arriscaria dizer que 60% a 70% desse dinheiro são desviados para
algum lugar bem longe de penitenciárias. Se esse montante de grana fosse utilizado
realmente no processo prisional, certamente não viveríamos o caos da segurança pública
que passa todos os grandes centros sociais desse país. Cidades, onde outrora não se ouvia falar de roubos ou assassinatos, agora figuram nas páginas dos
jornais como área de risco.
Isso porque esse modelo prisional adotado pelo Brasil socializa muito pouco ou quase nada. Não fossem os familiares dos presos e os grupos de apoio religiosos, a
situação da sociedade brasileira, no quesito segurança, estaria muito pior!
Os
presídios desse país passaram a ser verdadeiras universidades formadoras de bandidos.
Um jovem de 18 anos que chega a um presídio brasileiro, condenado à prisão por roubar um saco de leite, após pagar sua pena e ser colocado em
liberdade, volta para a sociedade "especialista" em bombas, em armas, em falsificar
documentos, em praticar diversos tipos de crimes. Sai com números de contatos onde possa conseguir armas, drogas, "mercadorias" ou qualquer contrabando que desejar.
Não há nada
proibido aqui fora, que lá dentro não seja permitido. A comunidade prisional, pelo que se sabe, é incontrolável!
Se faz necessário pensar rápido numa mudança. É
necessário que se crie um novo modelo prisional, onde o principal objetivo seja
a recuperação do homem.
É preciso mudar o modelo prisional, pelo bem da sociedade!
Todos nós, ao cometer um crime, temos o dever de pagar
a pena prevista. Mas o Estado deve dar as condições necessárias para isso. Não
há mudança para melhor num ambiente hostil e sem o mínimo de dignidade.
Não é uma questão de sermos “bonzinhos” com bandidos, mas todo
homem merece pagar sua pena num ambiente que o transforme em um ser melhor; não pior!
Quando falo em um novo modelo prisional, imagino uma
carceragem onde os presos sejam divididos, considerando sua idade, o risco
que o mesmo corre ou pode provocar aos demais presos, o crime praticado, entre outras características. Num
ambiente onde se incentive o aprendizado, a leitura, a formação. Onde eles
possam ocupar a mente com trabalho e estudo.
Dos mais de 600 mil presidiários encarcerados no Brasil,
somam-se para cada um deles, suas famílias e amigos que sofrem as agruras de um
sistema prisional desumano. Na maioria das vezes, mães e pais, mulheres e
filhos de detentos são recepcionados nos dias das visitas, como se bandidos fossem. É cruel, é animal e inaceitável o comportamento de muitos agentes
públicos, responsáveis pela segurança dos presídios, que, sobrecarregados e mal
pagos, descontam suas raivas e frustrações nos familiares dos presos.
O nosso sistema prisional é tão ineficiente que os números
mostram que 80% dos detentos são reincidentes. Muitos dos ladrões de bancos, de
carros, de casas e de lojas; traficantes, vigaristas, estupradores que estão
nas ruas, já foram presos pelo mesmo crime ou por outros. Isso se deve, entre outras coisas, à falta
de condições humanas nos atendimentos aos presos, à humilhação e promiscuidade, à superlotação das cadeias e presídios, à omissão dos órgãos de
justiça, que sinalizam a total ineficiência do processo prisional executado no
Brasil.
Negar isso, fechar os olhos para esse problema, é aumentar a dívida
histórica no que se refere aos direitos humanos nos presídios brasileiros.
Aos que são contra a busca pelo novo padrão prisional, eu
perguntaria: qual o resultado de décadas desse sistema prisional excludente,
desumano e que não reeduca o encarcerado?
Todo homem tem o dever de pagar por seus erros, mas o Estado deve lhe proporcionar as condições para que ele possa melhorar como ser
humano.
Precisamos discutir e encontrar uma saída para esse problema que está afetando a todos.
Você talvez até ache que não lhe afeta. Não se engane.
Como está, só vai piorar!
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