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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Todo mundo é preconceituoso.

O jogador Tinga, do Cruzeiro, foi hostilizado por torcedores peruanos na semana passada. Todas às vezes que o jogador pegava na bola, os torcedores adversários (homens, mulheres, crianças), imitavam o som de macacos. 

Uma senhora da elite brasileira se sentiu ofendida ao ver, no aeroporto onde iria pegar o avião, um homem de bermudas e camiseta regatas. Tirou uma foto daquela “terrível cena de pobreza explícita” e postou na sua página social com a seguinte frase: o aeroporto agora virou rodoviária?

Uma turista austríaca se negou a ter que fazer as unhas num salão de beleza em Brasília, com uma manicure negra. Exigiu que uma profissional mais “clarinha” a atendesse.  

Oprah Winfrey (uma das personalidades mais rica da tv americana) foi vítima de preconceito em Zurique, na Suíça. Uma vendedora de uma loja se negou a lhe mostrar uma bolsa, alegando que a peça era muito cara. Dando a impressão que a Oprah não teria condições para comprá-la, por ser negra.

Médicos cubanos foram vaiados por médicos brancos brasileiros, em Fortaleza, por participar do programa Mais Médico. Escola em Guarulhos exigiu que um aluno negro cortasse o cabelo Black Power. Jovens homossexuais são vítimas de preconceitos na Paulista. Mulher gorda é ofendida. Homem baixinho é ridicularizado.

Todos os dias, todas as horas, nesse exato momento alguém está sendo alvo de preconceito em algum lugar do mundo. Por ser gordo ou magro, alto ou baixo, analfabeto ou inteligente, hetero ou homo, negro ou “branquelo”. Não importa! O que temos e o que somos, haverá sempre alguém que se sentirá incomodado por isso. 

Isso me leva a fazer duas constatações importantes: primeiro que o preconceito é uma doença e como tal é necessário cuidados médicos. Segundo, que todos nós sofremos dessa doença e portanto, somos preconceituosos. 

Repito, todos nós, pessoas humanas, somos preconceituosos com alguma classe de pessoas.

O que nos difere, uns dos outros, é a intensidade da doença, o grau desse preconceito. 

Há quem aceite naturalmente as relações homossexuais, mas não tolere nordestinos. Tem os que são apaixonados pela cultura africana, mas criticam ferozmente os religiosos protestantes. Existe os que odeiam gente e adora animais, os que preferem os índios, judeus e sulistas, mas odeiam europeus, americanos e nortistas.

Todos nós conhecemos alguém que deixa transparecer seu preconceito sexual, preconceito social, preconceito religioso, preconceito em relação à mulher, preconceito a deficientes físicos, preconceito em relação à xenofobia.

O mais interessante quando se percebe um ato de preconceito explícito, primeiro é o sentimento de compaixão que a maioria das pessoas tem com a vítima, e segundo a criminalização do infrator. Criticamos os causadores de atos preconceituosos como se nós, em algum momento de nossas vidas, também não cometemos algum ato de preconceito, ainda que tenha sido tão insignificante que não tenhamos percebido. 

Novamente entra aqui a intensidade, o grau de preconceito que temos sobre esse ou aquele grupo. Uma pessoa pode não concordar com casamentos homossexuais, por exemplo, mas daí a atacar fisicamente casais gays, há uma distância muito grande. 

É justamente o grau da doença chamada preconceito: aceito completamente, não concordo mas aceito, não concordo e não aceito, não concordo e vou perseguir/agredir a todas as pessoas desse grupo.

Em suma, estamos mais propensos a sermos mais tolerante/intolerante com aquele comportamento ou com aquele grupo.

Por outro lado, mais importante que se sensibilizar com a vítima de preconceito é tratar o doente. Quanto maior for o grau de preconceito que tivermos contra determinados grupos, maior é o mal que poderemos causar  aos outros e a nós mesmos.

Eu já fui vítima de preconceito por ser fumante (quando eu fumava), por ser nordestino, por ser pobre. Por pensar diferente da grande maioria sou alvo de preconceito, quase todos os dias.

Por outro lado, meu grau de preconceito contra alguns grupos, está sobre controle. Não corro o risco de trazer desgosto ou causar mal a nenhuma pessoa por não concordar com suas escolhas ou seu modo de ser.

E aqui vai uma autoavaliação do meu grau de preconceito: preciso ser mais tolerante com o pessoal da imprensa e com um determinado grupo político.

É isso aí! 

Cuidem-se!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Enfim, o Mais Médicos foi sancionado.



Assistindo ao pronunciamento da Presidente Dilma Rousseff, na cerimônia de sanção do programa Mais Médicos, percebo o quanto é difícil governar esse país. Pelo menos para um governo de esquerda. Nem mesmo a concretização de medidas que possibilitam melhorias para população, são aceitas com menor grau de rejeição e críticas. Há sempre um alarido. Posicionamentos que nos deixa boquiabertos. Por mais comprovadas que seja de interesse público, haverá sempre opiniões contrárias e ações de impedimento.

Foi assim com a diminuição da energia. Quem em sã consciência poderia imaginar que surgiria algum político contrário à proposta de diminuição do preço da conta de energia? Pois bem! Surgiu não só políticos, como partidos políticos, setores da imprensa e até mesmo, pessoas comuns da sociedade. Governos estaduais fincaram o pé e não compartilharam a ideia.

Foi assim com a medida provisória dos portos, que tirava das mãos de “empresários” o monopólio dos portos. Porque não podemos mais deixar nas mãos de poucos, aquilo que deve pertencer a maioria do povo brasileiro. Mesmo sabendo que durante décadas, esses “empresários” que administravam os portos, eram os responsáveis pela burocratização e não modernização do setor, mesmo assim, surgiu políticos, partidos, setores da imprensa e mais uma vez, entidades trabalhistas, pessoas comuns da sociedade, contrários a medida.

Aconteceu ontem, com o Leilão da Bacia de Libra. Várias entidades encaminharam a justiça pedido de cancelamento do leilão. Grupos se reuniram para protestar contra o evento. Houve confronto com policiais, destruição de bens públicos, por parte dos manifestantes, e mais uma vez, muita falta de conhecimento sobre o que estava em jogo. Lá estavam, reunidos contra as medidas que fortalecem o Brasil, políticos, partidos, setores da imprensa, e pessoas comuns da sociedade.

No Mais Médicos, a reação de parte de setores da sociedade contrários ao programa, chamou atenção dos governos. Porque a medida não foi exclusivamente imposta pelo governo federal. Foi uma solicitação dos prefeitos dos mais de 5600 municípios espalhados pelo Brasil. A saúde estava um caos, principalmente pela falta de médicos. Ainda que não tenha nenhuma  condição física, ainda assim, nada é mais importante que a presença de um médico. E por mais que o governo explicasse que o Mais Médico era mais que simplesmente trazer médicos estrangeiros, os críticos em seu radicalismo, não aceitavam o programa.

Mas, o que na verdade está por trás da negação, por parte dos CRMs, CFM, de setores da sociedade, de parte da imprensa, de políticos, de partidos políticos e de pessoas comuns, ao Mais Médicos?

Medo, inveja, falta de conhecimento (alienação) e maldade, muita maldade.

Enfim foi sancionado o Mais Médicos. E a imagem que fica é do médico cubano, Juan, sendo aplaudido de pé, por todos, depois de um justo pedido de desculpas do governo brasileiro pela recepção desastrosa e preconceituosa que ele recebeu de “profissionais” de medicina no Ceará.

Até pode ser difícil para um governo de esquerda governar o Brasil, mas, pelo que parece, não é impossível.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O que há em comum entre: Martin Luther King, Oprah Winfrey, Micheline Borges, Black Bloc e médicos cubanos.





















Essa semana o mundo lembrou o discurso memorável de Martin Luther King. O sonho do símbolo dos direitos humanos ainda não foi alcançado, nem nos EUA, nem no Brasil e nem em lugar nenhum no mundo. Em toda parte, por todos os lados, o preconceito contra negros tem sido sentido e expressados de várias formas. Talvez a figura do Luther King e seu discurso não teriam se eternizados não tivesse sido assassinado. 

Se nem nos EUA o preconceito contra negros acabou, imagine nos países pobres do mundo. Na África, por exemplo, tribos inteiras estão sendo dizimadas, principalmente por serem negros. O mundo sabe pouco o que acontece na África contra os negros.

Por aqui, no mundo "civilizado", há poucos dias, a apresentadora americana Oprah Winfrey, foi vítima de preconceito em Zurique, na Suíça. Uma vendedora de uma loja se negou a lhe mostrar uma bolsa, alegando que a peça era muito cara. Dando a impressão que a Oprah não teria condições para compra-la, por ser negra. Segundo a apresentadora, a vendedora explicou que a bolsa era um modelo exclusivo criada para a atriz Jennifer Aniston (branca) e que custava 86 mil reais. Oprah disse que teve vontade de comprar toda a loja ao som do filme Uma Linda Mulher. Oprah tem sua fortuna estimada em quase três bilhões de dólares.

Mas afinal, o que faz as pessoas serem avaliadas pela cor da pele? E o pior: o que faz pessoas acharem que só quem deva ser bem atendido, ou tenha direitos, ou seja, digno de respeito, sejam os brancos?

Talvez possamos responder a essas e outras perguntas analisando o perfil da jornalista Micheline Borges, que num comentário desastrado, esboçou a opinião de muitos outros jornalistas e médicos brasileiros. Aquilo que muitos “formadores de opinião” da grande mídia e representantes de instituições médicas queriam dizer, foi materializado na postagem da jornalista Micheline Borges. 

Dizer que as médicas cubanas tinham "cara de domésticas" e que médico "geralmente tem postura, tem cara de médico, se impõe pela aparência", é de uma falta de conhecimento humano enorme! É preciso saber onde, em que mundo essa jornalista se formou, para tentar entender tanto preconceito. Não é possível que ela tenha adquirido tudo isso sozinha.

Relacionar cor da pele com a profissão da pessoa é algo doentio! 

Médicos, jornalistas, engenheiros, são profissões exercidas por brancos de olhos azuis. Domésticas, porteiros, pedreiros, são profissões exercidas por negros.

Agora mesmo, o Brasil experimenta algo novo na sociedade. O modelo extremista de fazer protestos está sendo vinculado ao grupo Black Bloc, que numa tradução para o português seria o Bloco de Preto. Esse grupo, por enfrentar a polícia, mascarados e de preto, estão recebendo críticas pesadas por parte da sociedade que não aceita o comportamento anárquico. 

Esquecemos muitas vezes, que esses jovens, mascarados de preto, são nossos filhos e netos. E que embora estejam de preto, vejam que ironia, são em sua grande maioria, brancos.

Diante das cenas de preconceitos que estamos assistindo no Brasil, principalmente contra os médicos cubanos, será se, ao invés de Black Bloc, esse grupo chama-se White Bloc, haveria tanta indignação e críticas aos estragos que eles têm provocado na sociedade?

Outra pergunta para reflexão:

Se médicos negros brasileiros fizessem um corredor polonês por onde fosse passar um médico americano branco, e o chamassem de “branquelo” escravo, será que o Ministério Público não entraria com uma ação de crime de xenofobia contra os médicos negros brasileiros?

Heimnnn!!!!