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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Lar da Irmã Lourdes – quase 1000 anos de experiência de vida pra ensinar a todos nós.



Sábado, a convite de amigos, fiz um “rolezinho” ao Lar da Irmã Lourdes. Um abrigo para idosos localizado em Natal - PB. Fomos levar alguns donativos, como fraldas geriátricas, material de limpeza, remédios usados em pequenos curativos e alimentos não perecíveis.

O Lar da Irmã Lourdes é um grande casario antigo e muito bem reformado, onde vivem quinze lindas senhoras idosas. Cada uma com sua história, realizações e decepções, alegrias e tristezas, encontros e despedidas. 

A mais nova de todas tem 72 anos e chega a ser chamada de “a caçula” do grupo. 

Dizem que a primeira impressão é a que fica, pois bem! Assim que cheguei ao abrigo me sentir em um lugar acolhedor e bastante reconfortante. Mas havia um certo "quê" de tristeza pairando naquele ambiente.

Curioso e observador, notei que a estrutura do imóvel estava em excelente qualidade, havia espaço suficiente para abrigar até mais de quinze pessoas, que, embora tenhamos chegado de surpresa, percebia-se que as dependências estavam limpas e não se viam maus-tratos por parte dos poucos funcionários que ali trabalhavam.

Quis saber o que elas faziam o dia todo. Se havia atividades de aeróbica, bordado, jogos etc. Uma das funcionárias respondeu: "O que elas mais fazem, o dia todo, é ‘brigar’ umas com as outras.

Me chamou atenção que não havia nenhum setor da área livre (área não construída) que tivesse terra. Não havia um metro quadrado sequer de chão de terra. Toda a superfície da área livre do prédio era “lajotiada”.

Imaginei que seria importante para elas se ocuparem em atividades de plantio, no cultivo de pequenas hortaliças e ervas. Seria uma terapia rejuvenescedora.

Sentir um inconformismo ao ver tanto tempo sem nada o que fazer. A ociosidade mata! 

E, tratando-se de pessoas idosas, então! De certo modo, me vi ali, como morador daquele abrigo. O que eu faria para ocupar meu tempo?

Partir para conversar com algumas delas. Em poucas horas terminaria a visita, mas precisava sentir, pelo menos um pouco, qual era o sentimento que elas nutriam com aquele ambiente. Acompanhado de um funcionário, fui em busca de respostas para minhas dúvidas.

Rosinha é a que mais chora. Viveu mais de 40 anos na companhia do marido. Impossibilitada de gerar filhos, adotou dois filhos e criou uma sobrinha como filha. Após ficar viúva, eles a colocaram no abrigo. Não demonstra mágoa, mas é nítido no olhar a tristeza.

Valquíria, de 92 anos, vivia sozinha no mundo. Não tinha quem cuidasse dela. Chegou ao abrigo, trazida por conhecidos. De olhar triste e distante, ela pede para morrer todos os dias. Lamenta por estar vivendo tanto.

Dona Severina veio passar um tempo. Somente enquanto a nora e o filho terminassem a reforma da casa. De lá até aqui, já se passaram mais de cinco anos. O filho a visita todo mês, mas prefere não contrariar a esposa, aceitando que o melhor para a mãe é o abrigo. Todos os meses, no dia da visita do filho, Dona Severina arruma a mala com a esperança de que ele a leve para a casa. Detalhe: o filho é médico e a nora trabalha como assistente social no estado.

Marluce, que, embora esteja com seus 97 anos, é muito lúcida e fala muito mal das filhas. São cinco ao todo. Uma delas está na Alemanha, outra em São Paulo. Mas nenhuma delas faz visita à mãe. Marluce diz que preferia que Deus tivesse lhe dado filhos. Ela culpa as filhas por estar, segundo ela, naquele inferno. Sem o amor das filhas, surpreendeu-se com o ódio que sente de tudo e de todos.

Mas é Amara quem vive, digamos(!), mais "de mal" com a vida. Não é de muita conversa. Segundo os funcionários, tem um filho que não a quer em casa, com sua família. Vive isolada no abrigo. Tentei manter contato, mas todas as tentativas foram em vão.

Dona Julita vive um conto de fadas. O mundo em que vive é repleto de festas, luzes e glamour. Encontrou uma forma de conviver com o desprezo da família. É a mais vaidosa de todas e motivo de risos no abrigo. Desfila com seus vestidos longos e muito bem costurados.

Maria é a única que não recebe visitas de familiares. Não fossem os voluntários que aparecem nos finais de semana, provavelmente ela não teria com quem conversar. Tem o rádio como sua fiel companhia. É evangélica e não tem interesse nenhum em evangelizar as amigas do abrigo.

Dona Roberta não é muito de falar de sua vida. Demonstra ter sido muito bonita quando jovem. Magra, erguia-se e caminhava com sutileza; com boa articulação e clareza das palavras,  usava termos diferenciados, tinha postura altiva e se preocupava muito com as horas e se vai chover. Como se estivesse prestes a ir a algum lugar.

Elisabete foi empregada doméstica desde menina. Nunca casou. Chegou ao abrigo para prestar serviço e acabou como hóspede. Após 20 anos de serviço prestado ao abrigo, decidiu ficar. Hoje, com seus 90 anos, é a que mais se preocupa com o bem-estar das colegas. Quis saber do que ela mais sentia falta: “De aprender a ler”, respondeu ela.

Infelizmente não pude conversar com as outras senhoras. Meu tempo acabou. Mas o que ficou dessa visita foi a reflexão do quanto nós, enquanto capacitados para exercer autoridade, fechamos os olhos para a necessidade dos nossos anciões, o grito de socorro daqueles que um dia nos deram apoio. 

O que eles querem não são fraldas geriátricas, remédios ou alimentos. Eles querem retornar ao seio da família. Só isso!


obs 01: os nomes foram trocados para preservar as pessoas que vivem no abrigo. 

obs 02: texto revisado em 14/02/2014.




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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O idoso antenado e o jovem alienado

Ontem tive que esperar por trinta minutos na fila de pequenas compras, do Hiper Bompreço.
Mas, o que poderia ser tedioso, foi bastante revigorante, no que diz respeito ao processo de desalienação que tenho defendido ao longo dos anos.

Logo após que cheguei na fila, atrás de mim surgiram um senhor idoso, com seus sessenta e cinco anos bem vividos, e na sequencia, depois dele, um jovem aparentando ter de dezoito a vinte anos.

O jovem parecia chateado. Disse, como se quisesse compartilhar com o senhor idoso, as suas frustrações:

- Passei quase duas horas na fila da Casa Lotérica. Ou eu pagava as contas hoje ou teria que gastar dinheiro com multas. Esse país está uma bagunça. Greve dos bancos, dos correios... Professores, no Rio de Janeiro, quebrando tudo... O preço de tudo está subindo... Tudo isso é culpa da Dilma!

O senhor idoso, calado ficou ouvindo, sem contestar nada do que lhe dizia o jovem.

- Lula foi um bom presidente - continuou o jovem – mas, Dilma acabou com muita coisa que ele fez. Se houver segundo turno, entre Dilma e Aécio, eu vou votar no Aécio.

- Você acha que o Aécio resolveria os problemas atuais do Brasil? Perguntou o senhor idoso.

Antes que ele respondesse, o senhor lhe alertou:

- Você sabia que a imprensa mineira não fala mal de Aécio? Você sabia que existe um processo contra Aécio, de desvio de mais quatro bilhões da saúde de Minas Gerais, quando ele governava aquele Estado? Você viu a matéria de capa da Veja e da Época, dessa semana?

Atordoado em meio a tantas perguntas, o jovem disse: não, não vi.

- A Veja trouxe matéria sobre o chocolate – disse o senhor idoso apontando para revista na estande de vendas de jornais e revista - e a Época, decidiu falar sobre a galinha pintadinha.

O jovem ainda sem entender, buscava respostas para àquelas indagações.

- Você sabia que está em curso, investigação de desvio de dinheiro público, do governo de São Paulo, que segundo a PF há mais de vinte anos, políticos e pessoas ligadas aos governadores Serra, Alckmin e Covas, se beneficiaram do chamado Propinoduto Tucano ou Trensalão Tucano?

O jovem não querendo passar ainda mais por ignorante resolveu dizer: 

- Eu... Vi falar sobre isso no meu face...

O senhor idoso então arrematou:

- Como então, as duas maiores revistas em circulação no Brasil, ignoram tudo isso, escondem a notícia dos seus leitores, preferindo colocar na capa temas como chocolate e galinha pintadinha?

O jovem então entendeu onde aquele senhor idoso queria chegar.

- A imprensa protege muito os políticos – disse o jovem.

- Não qualquer político – retrucou idoso.

- Você leu em algum jornal ou revista, que no período da eleição de 1998, FHC engravidou uma jornalista da Globo?

- Eu não era nascido na época, mas, meu pai me falou alguma coisa sobre esse fato...

- Não vote no Aécio - pediu o senhor idoso - ele representa a Globo, a Veja e a classe dominante. Esse pessoal não gosta de pobre e portanto não gosta de você e nem de mim. Vote em qualquer um... Menos neles. 

A fila andava e infelizmente chegou a minha vez de me dirigir até o caixa. Antes, ainda ouvi o senhor idoso dizendo ao jovem:

- Você já leu a Privataria Tucana e o Príncipe da Privataria?

Ainda ouvi, ao longe, o jovem responder:

- Ainda não...



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O massacre dos inocentes



Ontem o mundo mais uma vez se deparou com o massacre dos inocentes.
A pior de todas bombas já criadas pelo homem, mostrou ao mundo, o seu “poder”.

A bomba química lançada em Damasco, na Síria, foi de uma crueldade inimaginável.

Quem terá sido o homem que a lançou?
Oposicionistas dizem que foi o governo do Bashar Assad. O governo culpa os oposicionistas. Seja quem tenha sido o mandante dessa monstruosidade, deve ser exterminado.

Foram mais de mil pessoas mortas. Sem nenhum sinal de agressão, mas, a dor e o desespero estão estampados no rosto de cada cadáver.
Famílias inteiras foram encontradas mortas.
O gás entra pelas narinas, toma conta dos pulmões e tira o ar de suas vítimas.
O gás não escolhe quem deve sofrer com a falta de ar. Adultos, velhos, crianças... Todos são barbaramente atingidos pela bomba química.
Uma verdadeira carnificina!
Um genocídio!
E o que faz a ONU?
Para que serve mesmo, a ONU?