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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Carta de Rodrigo Viana ao Senador Aloysio Nunes

Extraído do blog: ESCREVINHADOR

Lembre-se, caro senador, que esse clima de “pega pra capar” costuma começar com Robespierre cortando cabeças. E depois a cabeça de Robespierre também vai pra guilhotina. Com todo o respeito, não perca a cabeça.
 
por Rodrigo Vianna
 
Caro senador, essa “carta” é escrita sem rancor nem ironia. O senhor provavelmente nem me conhece. Escrevo depois de vê-lo agredir verbalmente um blogueiro que tentou entrevistá-lo na última terça-feira, no Congresso. O senhor xingou o rapaz, avançou contra ele, e depois tentou se justificar nas redes sociais, dizendo que ele era um “ex-assessor do PT”. Aqui um tweet do @Aloysio_Nunes: “acha que um senador de oposição pode ser ofendido por um ex-assessor do PT ? Acha que não há câmeras no Senado?”
A mídia ligada ao tucanato rapidamente espalhou a notícia (falsa) de que um senador reagira a “insultos” de um blogueiro ligado ao PT. O nome do blogueiro é Rodrigo Pilha. As imagens, senador, não mostram insultos por parte do blogueiro. Mas um tratamento até respeitoso – apesar de provocativo.

Parece-me que o PSDB está mal acostumado: protegido pela mídia paulista e mineira, tem queixo de vidro. Não sabe apanhar, perdeu a capacidade de levar uns golpes. Já quer partir pra briga, pedir cabeças, mandar prender. Lamentável.

Senador, preciso dizer que eu costumava ter certo respeito pelo senhor, pela sua história. Respeito, justamente, pela firmeza que o senhor demonstrou nos momentos em que seu partido esteve na defensiva no segundo governo Lula. Enquanto Serra e Alckmin “esconderam” FHC, e renegaram o privatismo, o senhor fez campanha ao Senado com FHC no horário eleitoral em 2010. Defendeu FHC, e foi apoiado por ele. Gosto de gente que atua assim, de peito aberto. Mesmo carregando um fardo pesado.

Além disso, quando era Chefe da Casa Civil de Serra no governo paulista, o senhor alocou recursos para publicar livro importante, sobre desaparecidos políticos – editado por famílias de gente que morreu lutando contra a ditadura.

Muita gente não sabe que o senador Aloysio foi um dia o “camarada Mateus” – guerrilheiro da ALN. Atuou ao lado de Marighella, deu tiros, assaltou. Jamais renegou esse passado. E nem teria porque fazê-lo: lutava contra uma ditadura. O senhor foi mais prestativo do que certos petistas no momento em que famílias de desaparecidos e mortos pela ditadura precisaram de ajuda. De novo, postura corajosa, na medida em que contraria posições de eleitores e da base social tucana em São Paulo – que se deslocou para a direita.
Pois bem. Ao avançar contra o blogueiro no Congresso, o senhor não mostrou coragem. Ao contrário, confundiu bravura com desrespeito e autoritarismo. Foi covarde, até.

Mais que isso: o senhor justificou o ataque ao blogueiro pelo fato de ele ser do PT. Não esperava que o senhor aderisse à lógica justiceira que já incendeia as ruas e a internet. Há um movimento, um desejo latente em certos setores, de “exterminar o PT”. E ele gera um clima violento de parte a parte. “Tucanalha” de um lado. “Petralha” do outro. Onde isso vai nos levar, senador?

De fato, a abordagem do blogueiro Pilha pode ter irritado o senhor. Mas já imaginou se Genoíno ou Dirceu reagissem da mesma forma, quando foram abordados de forma muito mais agressiva por equipe de TV? Imagine se um parlamentar do PT avançasse sobre um jornalista ou humorista, gritando e xingando como o senhor fez? Estaria sujeito a pedido de cassação, por quebra de decoro. Viraria manchete. Sabemos que a mídia tucana não fará isso com o senhor. Mesmo assim, sua imagem (perseguindo aos berros o blogueiro) percorre a internet; e  não é das mais edificantes.

Imagine se o ex-presidente Lula fizesse o mesmo com certos blogueiros da “Veja” que o atacam de forma muito mais virulenta todos os dias? O Lula teria que dar uns sopapos na turma da “Veja”? Mandar a “PQP”? Esfolar? Prender?

Caro senador Aloysio, o senhor errou.

Perder a cabeça é algo normal. Quem sou eu pra dar lição de moral nesse sentido… Quem me conhece sabe que eu também brigo, não aceito desaforo. Então, senador, o mais grave não foi perder a cabeça. Mas tentar justificar o ataque porque afinal, do outro lado, estava um petista.

Senador, isso parece aquela turma que lamenta o linchamento da moça no Guarujá, porque afinal “ela não fez nada”, “não era a pessoa certa”. Ah, se tivesse feito, então podia linchar?

Esse clima de “linchamento”, de “criminalização” política, afeta hoje mais gravemente o PT. Até porque o bombardeio midiático é desproporcionalmente mais intenso quando há um petista envolvido em denúncias. Mas essa história de “vai pra puta que te pariu, seu petista”, pode virar fácil “morte aos tucanos que acabaram com a água de São Paulo”.

Senador, o senhor deveria pedir desculpas ao rapaz. Isso não o diminuiria em nada. Não significaria ceder em um milímetro nos duros embates com o PT. Legítimos, apesar de quase sempre eu estar do outro lado – e não ao seu lado nesses embates.

A sua história, apesar do PSDB ter ido para a direita, não merecia esse momento Toninho Malvadeza. O senhor é melhor que isso. Apesar de todas nossas discordâncias, sei que é.
E acho que o senhor faria bem se respondesse às perguntas que o blogueiro tentou fazer ao ser interrompido pelo “vai pra puta que te pariu”:

- por que o PSDB quer CPI em Brasília, mas não admite CPI em São Paulo para apurar as denúncias graves de “corrupa” no Metrô e nos trens?
- se o senhor acha que não precisa de CPI em São Paulo porque afinal já há outras instâncias (MP, policia etc) a investigar, por que diabos esse raciocínio não vale para a Petrobrás?
- e o que o senhor acha do envolvimento de seu nome nas denúncias em São Paulo? O senhor não deve? Então explique, sem gritar – por favor.
Lembre-se, caro senador, que esse clima de “pega pra capar” costuma começar com Robespierre cortando cabeças. E depois a cabeça de Robespierre também vai pra guilhotina.

Com todo o respeito, não perca a cabeça.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Mais um show de hipocrisia da oposição.

Ontem a oposição subiu no púlpito do Senado Federal, na pessoa do presidente tucano Aécio Neves, para atacar a idoneidade e capacidade administrativa da Presidenta Dilma Rousseff.

Onde você ler oposição, entenda que se referi a tríplice aliança: partidos de direita, imprensa conservadora e elite burguesa.

Num país onde ações no TSE viram armas da oposição contra a Presidenta, por motivo de um vestido vermelho que ela use numa cerimônia, ou uma nota de parabenização aos funcionários públicos ou até mesmo, um aperto de mão e um sorriso estampado numa foto, o caso da refinaria de Pasadena, nos EUA, é um prato cheio. 

Aécio iniciou seu pronunciamento alegando que Dilma foi responsável pelo MAIOR ERRO, quem sabe do mundo, em assinar a autorização da compra da refinaria americana pela Petrobras. 

Aécio é desses políticos frouxos. Bastou à senadora Gleisi Hoffmam aparteá-lo para o senador gaguejar e ficar com aquela cara de paisagem. "Não... Quero deixar claro que não estamos questionando a idoneidade da Presidenta..." Ora senhor senador, por que não diz logo o que os senhores estão querendo!

O senador tucano Aloysio Nunes, como sempre destemperado, nervoso e desleal ao falar de seus opositores, pediu a palavra pra destilar seus adjetivos depreciativos contra a Presidenta Dilma. Um verdadeiro "cavalheiro". Do alto de sua soberba decretou a IRRESPONSABILIDADE da Presidenta do Brasil. 

A compra da refinaria de Pasadena é um caso que vem sendo discutido e investigado pelo Ministério Público, Polícia Federal e organizações internacionais, desde 2006. 

A própria Presidenta já declarou ter sido induzida ao erro ao concordar com a compra. Havia ausência de dados, no documento, que só surgiram depois de assinados.Qual executivo não foi um dia vítima dos erros de seus auxiliares? De forma factual ou não.

Para uma Presidenta autoritária, como é amplamente alardeado pela oposição, Dilma ter reconhecido o erro publicamente, é sem dúvida estranho acreditar nessa pecha de mandatária autoritária.   

Dilma na época em que concordou com a compra da refinaria presidia o conselho da Petrobras. O erro foi do Conselho e não necessariamente, exclusivamente da Dilma Rousseff, como a oposição tem grasnido.

Hoje a oposição trás uma manchete na Folha de SP, onde se ler: "executivos refutam explicação de Dilma no caso Petrobras", mas não trás os nomes dos respectivos executivos na matéria.  

Essa é a chamada imprensa marrom bombom, que publica o que bem entende sem ter que informar suas fontes.

Assim fica fácil fazer oposição (digo!)..., jornalismo. 

Tudo isso até outubro,  ainda vai render muitos votos. Só não se sabe se há tantos alienados midiáticos e oposicionistas no Brasil, a ponto de eleger aqueles que muito pouco ou quase nada fizeram pelo país e pelo seu povo.

Num país onde até o vestido vermelho da Presidenta é motivo para oposição entrar com Ação no TSE, o caso Pasadena deixou a oposição [como é costume dizer no nordeste] feito pinto no lixo.