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sábado, 28 de outubro de 2017

Enfim, nos livramos da Petrobras!


Durante anos, desde o governo do fhc, que somos bombardeados com reportagens da mídia fascista, sobre o "grande mal que essa empresa, Petrobrás, causa ao Brasil e a seu povo". O mesmo discurso terrorista empregado sobre a Vale, vendida por preço irrisório aos amigos da direita e ao poder estrangeiro, tem sido empregado para atacar a principal empresa brasileira, uma das maiores e mais importantes do mundo.

A mídia, encabeçada pela "grobu", e a direita brasileira, representada pelo psdb e serra, destilaram seu veneno contra a Petrobrás por mais de 20 anos. A empresa, base da industria nacional, teria a qualquer tempo que ser entregue aos gringos, pois essa sempre foi a vontade daqueles que odeiam o Brasil e seu povo. 

Nunca que eles aceitariam que os recursos do Pré-sal fossem usados, integralmente ou mesmo uma pequena parte, para alavancar a educação do povo brasileiro, principalmente os mais humildes. Usar os recursos do Pre-sal para atender a gritante situação do descaso secular sobre a saúde? Jamais! O que menos a elite predadora brasileira deseja é saúde e educação para os brasileiros. Educação é algo terrível para uma nação que nasceu para ser pequena, subserviente e com uma força de trabalho predestinada ao escravismo. 

Como disse o outro: estuda quem pode!

A lava jato e o moro deram uma ajuda crucial para melar de vez a empresa "causadora de tantos malefícios". 

Daí, os problemas brasileiros causados por esse enorme elefante no meio da sala que já eram "enormes', com a lava jato e o moro, passou a ser crucial o seu fim. A Petrobras era a razão das críticas que os "especialistas" da grobu  grasnava todas as vezes que eram acionados a discutir o caos econômico brasileiro. 

Enfim, estamos nos livrando da Petrobrás!

Não haverá mais motivo para que o tão sonhado crescimento econômico, não ocorra. Afinal, a pedra que havia no caminho está sendo retirada. Entregaremos aos gringos aquilo que durante anos nos foi mostrado como O Problema e não a solução. 

Motivo de orgulho nacional em qualquer outro país, razão pela qual governos e povo lutariam bravamente para defendê-la, a Petrobras vai sendo entregue sem que haja um mísero protesto em qualquer região da nação.  

Se a Petrobras fosse gente... Olha! Que decepção.

Quando descobriram o Pre-sal, diga-se passagem: com tecnologia, trabalho, esforço, dinheiro e dedicação de vários brasileiros e brasileiras, homens e mulheres petroleiros que gastaram tempo e talento para consegui prospectar óleo em profundidades jamais vistas, pois bem (!), naquela época quando se conseguia os primeiros barris de petróleo do Pré-sal, a mídia caçoou do governo Lula dizendo que o Pre-sal não passava de uma bravata, que não havia tanto petróleo assim, que não valia gastar tanto dinheiro com algo que não daria retorno. Hoje essa mesma imprensa festeja a entrega do Pre-sal ao poderio estrangeiro. 

O Brasil não tem competência para gerir tamanha quantidade de petróleo, dizem eles. 

Vejam como são as coisas: o Brasil teve competência para achar o ouro negro em terras profundas, competência para ultrapassar a barreira do sal, competência para fazer a prospecção, competência para armazenar e transportar às refinarias e depois de tudo pronto, NÃO TEM COMPETÊNCIA PARA GERIR O PRÉ-SAL.

O preço da venda dos poços de petróleo da Petrobras é algo surreal. Só se compara a venda da Vale. 

Façamos uma conjectura: você tem um objeto que vale 1 mil reais. Aí você coloca a venda por 70 reais e se contenta por receber 60 reais por ele. É mais ou menos o que está acontecendo com a venda da Pré-sal. Calcula-se que foram vendidos 1 trilhão de reais do Pre-sal por 6 bilhões. 

É preciso repetir isso em letras garrafas e em negrito: FORAM VENDIDOS 1 TRILHÃO DE REAIS DO PRÉ-SAL POR 6 BILHÕES.

O temer, o serra, o tucanato todo, a mídia (em especial a grobu), dizem ser um excelente negócio para o povo brasileiro se livrar da Petrobrás. 

Qual povo brasileiro? Eles próprios, claro! Que, assim como a venda da Vale, perpetuaram o bem estar social dos seus filhos, netos e bisnetos. Gerações inteiras desses "homens honrados" não sofrerão danos algum, perda alguma, jamais serão presos, sequer investigados. Pelo contrário, portas serão abertas para os da linhagem aristocrática que surge na política, justiça e mídia brasileira.

Acorda, gente! Nesse jogo, não há espaço para o povo. Sim! Como bucha de canhão, apenas.  

Só pra se ter uma ideia do valor adquirido com a venda dos poços do Pre-sal, seis bilhões equivale a 1/5 do que temer gastou para comprar deputados e se safar de ser investigado.  O presidente ladrão gastou 32 bilhões na compra de deputados até aqui. Pelo menos uma coisa "boa": temer tem em mãos 6 bilhões com a venda do Pre-sal, caso precise comprar mais alguns deputados.

Que bom que o mal esta sendo eliminado. Deixemos esse grande elefante que só nos dá  prejuízo, para os gringos. 

Chego até ter pena deles! 

Xô, Petrobrás!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Até quando você vai fazer de conta que não teve nada com isso, Pobre de Direita?


Você foi às ruas pedir a saída de um governo legítimo. Manipulado pela "grobu" e acreditando na lisura da lavajato, você se vestiu de verde e amarelo, bandeira na mão e sua mentalidade medíocre, exigiu mudanças estruturais no país, entre muitas outras, a prisão dos corruptos, a saída de Dilma do poder e um Brasil novo. 

Tonto e alienado, incapaz de enxergar um palmo a frente de seu próprio nariz, você nem se tocou que aqueles aos quais você dava as mãos e apoiava, lhes usavam como bucha de canhão para um propósito nefasto de perdas de direitos coletivos e individuais.

Você pagou muito caro, Pobre de Direita, em querer ver em prática o projeto de governo do tucano aécio neves. E o pior: não está caindo no buraco que você mesmo cavou, sozinho. Tá levando todos aqueles que tetaram lhe alertar do perigo em apoiar a grobu, o moro, os demotucanos, a fiesp e demais golpistas.

Tudo estava muito claro! Só você, Pobre de Direita, não percebeu. Até quando você vai fazer de conta que não teve nada com isso?

Aumento dos combustíveis
Quantas vezes você foi atrás da grobu e de seus "especialistas", de que era errado o governo segurar os preços dos combustíveis. Tudo, Pobre de Direita, que visa beneficiar os mais pobres é visto como prejudicial. Eu te pergunto: prejudicial a quem? Por que você defende tanto os mais ricos, cara? Você é pobre, igualzinho a mim e milhares de brasileiros que estão vendo seu salário perder o poder de compra, simplesmente porque quando aumenta os combustíveis, tudo o mais aumenta. Quando Lula e Dilma seguravam o preço eles estavam beneficiando a nós. Os pobres.

Aumento da tarifa elétrica
A mesma coisa acontecia aqui. As estatais, Petrobras, Eletrobras e todas as "bras" que houver, existem para servir ao povo brasileiro. Agora você está vendo tudo sendo entregue a preço de banana ao poderio estrangeiro, e o que você pensa? Que é ótimo perder tudo isso? Você realmente acredita que as empresas estrangeiras terão compaixão de você e cobrarão um preço baixo? Poxa vida, Pobre de Direita!

Aumento do gás de cozinha
O preço deverá chegar a 100 reais até o fim do ano. Me diga uma coisa: quem é que está pagando esse maldito pato? Você acha que aqueles paneleiros do Leblon, Higienópolis e Boa Viagem, aquela turma que nunca tiveram um dia de trabalho por ter nascido em "berço esplendido", você acha que eles estão preocupados com o preço do gás a 100 reais, Pobre de Direita?

Aumento da fome e da desigualdade
Foi dito a você, reiteradamente, que o maior problema do nosso país não era a corrupção e sim a desigualdade. E essa desigualdade se devia, mais do que outra coisa, a sonegação. Justamente aqueles aos quais você, Pobre de Direita, se alinhou, são os maiores causadores das desgraças do nosso povo. E você preocupado com pobre em aeroportos e em Universidades, viajando para o exterior. Você ajudou a classe dominante a tirar dos mais pobres, conquistas adquiridas com muita luta, sour e lágrimas, e acabou por perder "privilégios" que você imaginava serem só seus!
  
Cortes no reajuste do salário mínimo
Lembra como você criticava o governo em 2003 e 2004, por o salário mínimo ser menor que 100 dólares? Pois é! Se depender dos ladrões que você apoiou a chegar no poder, quem sabe o SM não volta a ser menor que 100 dólares.

Menos recurso para educação
O Pré-sal que iria ser usado parte dos lucros para incrementar a educação, está sendo entregue ao gringos. O que vc acha que vai acontecer com nossos jovens, Pobre de Direita? Com a ausência do Estado na sua formação, dificilmente eles terão condições financeiras de concluir o ensino médio, imagine um curso superior. E pra onde muitos deles irão migrar? Para as drogas, crimes e arruaças. Você é o principal culpado por isso, PD. Sua visão tacanha sobre "quem tem direito a ser "ajudado" pelo governo". O itaú, "grobu" e o agronegócio devem receber ajuda trilionária do governo, mas o estudante pobre da periferia, não! Você é adepto a meritocracia, não é mesmo. Acredita que seu filho de 8 anos terá as mesmas condições do michelzinho, filho do presidente ladrão.   
 
Nossos jovens hoje estão sem futuro. 
As manifestações de julho de 2013, onde se via muitos jovens de verde e amarelo, trouxe de lá até aqui, mais prejuízos para eles próprios. Estão perdendo todas as conquistas adquiridas, vejam só, justamente dos dois governos que eles mais criticaram e perseguiram. Seguiram cegamente os grupos fascistas como mbl e veja, e as orientações de direitistas perturbados como roger do ultraje, alexandre fruta, sherazade, regina duarte, suzana vieira e tantos outros imbecis que junto com vc, levaram o país a essa situação deprimente.      

Menos recurso para saúde
Qual é sua idade, Pobre de Direita? Espero que seja ainda jovem, porque o ladrões que vc apoiou e que estão governando o Brasil, estão querendo expulsar os idosos dos planos de saúde. Eles acabam com o SUS, favorecem as empresas privadas de saúde e decidem quem deve ou não pagar caro por um plano de saúde. Se vc, PD, for idoso, se prepare para TNC. 

E existe PD idoso? Existe. Os CANALHAS também envelhecem. 

Menos recursos para moradia
O défice de moradia vinha caindo de forma progressiva nos governos Lula e principalmente nos governos de Dilma Roussef. Você talvez não saiba o que é morar em casa alugada ou até mesmo em situação de risco, em morros ou lugares sem saneamento básico. O que falta pra vc, PD, é ter um pouco de empatia. Muitos que esperavam ansiosamente pela sua casa própria, terão que abandonar esse sonho. O programa tucano do governo ladrão, não contempla o pobre e o miserável brasileiro. 
  
Aumento da verba de publicidade do governo
Pra onde está indo todas as verbas que estão sendo retiradas da saúde, da educação, da moradia, da venda de estatais e tantos outros lugares? Certamente não estão indo pra sua conta, PD. Vou te dá uma dica: o governo temer-tucano, apoiado por vc, jorra grana nas empresas de comunicação como "grobu", veja, folha e estadão. Essa é a forma de fazer com que essas empresas amenizem nas críticas. Veja, por exemplo, a grobu: o jornalismo fascista dos marinhos, ataca diuturnamente, muito mais o Lula e a Dilma que o governo ladrão. Há muito mais ênfase nas matérias falaciosas da lavajato sobre as inconsistentes provas que são usadas para incriminar o Lula, que as fartas provas (vídeos, assinaturas, contas bancárias, dinheiro, milhões em cédulas, malas de dinheiro, testemunhas...) que já deveriam ter colocado na cadeia o temer, aécio e todo governo ladrão.
 
Você, Pobre de Direita, é um ser que venho estudando desde junho de 2013. Quero entender por que vc se acha melhor do que todos nós pobres brasileiros. Você também é pobre, cara! Se calar diante de tudo que está acontecendo é suicídio. Até quando vc vai acreditar que as medidas de arrocho contra o trabalhador, vai ser bom pra vc.

Não vai! 
    

Uma luz no fim do túnel: ainda é possível acreditar na justiça do Brasil


A entrevista que a promotora de justiça Lúcia Helena Barbosa de Oliveira, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, concedeu ao DCM é de uma importância, tão grande, na batalha que travamos todos os dias contra a partidarização da lava jato.  Desde que foi percebida a parcialidade do juiz e procuradores da operação, perseguindo um único partido, tendo como principal objetivo a busca, a todo custo, da condenação de um único homem, que buscamos provar a opinião pública, em contraponto a rege "grobo", que a lava jato não tem nada de combate a corrupção, que atende um projeto de desmantelamento do nosso país. Cada vez mais, profissionais da área jurídica estão descobrindo a verdade dos fatos. 
Vamos a entrevista.
DCM – Em recente audiência pública no Senado sobre o sistema de justiça brasileiro e a busca de uma imparcialidade  nos julgamentos, você disse que as vendas que representam a Justiça cega não existem…
Lúcia Helena Barbosa de Oliveira – A Justiça enxerga muitíssimo bem quem são os amigos e quem são os inimigos. Blinda os amigos e persegue os inimigos.
Você também falou na audiência que estava perplexa com o tema, “imparcialidade do juiz”. Por quê?
Minha perplexidade foi em ter que falar de uma coisa que eu sei que não existe. Porque a gente sempre julga com as opções que faz na vida. Então, é impossível apreciar um fato sem considerar, por exemplo, que você é branco, homem, membro de uma oligarquia, ou que foi ligado ao PSDB, ou que você é muçulmano, cristão etc.
É impossível se desvencilhar disso tudo. A minha perplexidade é, então, falar de uma coisa que, como teórica do direito, não existe. Não existe uma neutralidade.
Como avalia o comportamento de alguns integrantes da Lava Jato?
Essa pergunta remete a temas diversos dentro do direito. Num primeiro ponto, vou me limitar a aspectos mais gerais: o acesso à Justiça e o julgamento por um juízo imparcial. Ambos são direitos constitucionais fundamentais do homem, do cidadão, abordados também em diversas convenções internacionais. O Brasil assinou uma delas e se submete à jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Num outro ponto já é a própria consideração sobre esses dois direitos, considerados fundamentais, que interessa. Eu abordo isso a partir de três linhas: uma sociopolítica, uma jurídica e uma terceira psiquiátrico-psicanalítica, que influencia as outras duas.
Na primeira vertente, eu diria que – levando-se em conta a extrema desigualdade social, a disparidade entre o que ganha um juiz, ou um membro do MP, e o salário mínimo – esses direitos parecem mais formalidade. Esse suposto acesso à Justiça parece gerar classes mais desassistidas.
Os membros do Judiciário e do MP usam uma linguagem rebuscada, em que tudo parece distante, misterioso, kafkiano. A própria postura, em si, é de alguém que se impregnou de uma falsa meritocracia, de um falso conhecimento: “eu estou nesta posição porque sou melhor do que fulano, beltrano e, provavelmente, melhor do que a pessoa que está sob meu julgamento”. Isso começa a revelar problemas entre a pessoa que exerce poder e autoridade e a pessoa que vai buscar justiça e, no meu entender, sai carregando injustiça.
No meu entendimento, a justiça não mora com o juiz. Buscar justiça num juiz é uma ilusão, porque a justiça mora no centro do injustiçado. É o injustiçado que guarda o sentido de justiça. O juiz é legitimado para dizer o direito. Dizendo o direito, nem sempre se alcança a justiça.
E a segunda?
A segunda vertente nota em recentes decisões da Corte Europeia de Direitos Humanos a formação da chamada doutrina da aparência, que trata de juízo imparcial. Segundo essa doutrina, o juiz não deve apenas ser imparcial, ele precisa parecer imparcial.
Então, tornam-se muito importantes e delicadas as aparições públicas de juízes e outros operadores do direito. As entrevistas que dão, as declarações a respeito de envolvidos nos processos e de casos levados a eles. A Corte Europeia de Direitos Humanos não tem jurisdição no Brasil, mas poderíamos dizer que ordens nacionais europeias já começam a absorver, integrar, em suas decisões essa doutrina da aparência, que poderíamos chamar de exceção de parcialidade.
O Transforma MP, Coletivo de membros do Ministério Público do qual faço parte, apresentou duas ideias para absorver a Teoria da Aparência: primeiramente, poderia se alargar o rol de situações de impedimento para a declaração de parcialidade do juiz, acrescentando a exceção de parcialidade às exceções de suspeição e de impedimento, já previstas no Brasil.
Por exemplo, o Tribunal Constitucional da Espanha, que está submetida à Corte Europeia, decidiu afastar um juiz porque ele deu uma declaração pública, rápida, em que ele nem apreciou os fatos, foi uma declaração lacônica, mas que o tribunal entendeu que o juiz, com isso, deixou de parecer imparcial, determinando seu afastamento do caso.
E a terceira vertente?
Na vertente psiquiátrico-psicanalítica, eu chamo a atenção para um estudo de 1950, do filósofo Theodor Adorno que, com outros pesquisadores, tenta encontrar que tipo de personalidade política há na sociedade americana, e acaba detectando o que chama de personalidade antidemocrática ou fascista. Isto em 1950, logo após a Segunda Guerra.
Esse filósofo alinha catorze pontos em que caberia dizer que a pessoa, operadora do direito, tem uma postura antidemocrática e/ou fascista.
Escrevi há pouco um artigo, onde coloco essa referência, e as pessoas poderão identificar ali o que está acontecendo hoje no Brasil.
Resumindo, observa-se um quadro de perturbação emocional, levando a uma perturbação mental, quando o operador do direito, diante de uma hipótese, transforma essa hipótese em uma verdade, certeza, que se converte em uma verdade delirante, para em seguida, verem qualquer coisa, qualquer fato serve, para confirmar a certeza delirante da qual partiu.
Como avalia a Lava Jato?
A meu ver tudo isso parece uma iniciativa autoritária, dentro de uma configuração antidemocrática e fascista. Eu diria que a Lava Jato destruiu o parque da engenharia civil brasileira, a indústria naval, um estrago muito grande.
É uma força-tarefa que nasce maculada pela parcialidade. Justifica-se uma força-tarefa composta por agentes que se controlam mutuamente, polícia e Ministério Público, junto com o juiz, que precisaria manter equidistância das partes? O MP como acusador é parte; como fiscal da lei, teria de fiscalizar juiz e polícia.
Então, é uma situação em que a função constitucional central de uma instituição do porte do Ministério Público se perde totalmente. O Ministério Público já não é mais fiscal da lei, já não exerce controle da atividade policial, mas sim mistura-se com a polícia, com o juiz, e o juiz não mantém equidistância das partes, verdades delirantes são determinadas antes da análise técnica dos fatos.
E esses agentes se juntam para quê? Para achar nada? Não! Não se tem notícia de força-tarefa que acabou em nada. Força-tarefa é para acabar em alguma coisa. Por alguma coisa entenda-se: condenação. Já ouviu falar em força-tarefa que deu em arquivamento, absolvição? Não. Isso seria um atestado de incompetência, nessa visão.
Como esse pensamento autoritário se expressa na operação?
O pensamento autoritário está por trás da manutenção de prisões por prazos dilatados, para arrancar do preso delações que confirmem a verdade delirante e, assim, como a Lava Jato tem se comportado.
Recentemente submetida a júri popular, a operação foi condenada e a pena convertida em medida de segurança, que é determinada quando o réu, no caso, a ré (a operação Lava Jato) apresenta problemas mentais e precisa de tratamento.
Ela foi condenada a submeter-se a tratamento ambulatorial para a resolução desse quadro mental paranoico, num campo em que a hipótese rapidamente se converte em verdade, em certeza delirante, em que a busca dos fatos é uma operação que se faz para confirmar tal verdade. Dentro do pensamento autoritário, então, tem uma ideia de justiçamento, de salvação da pátria.
Eu assisti um vídeo em que o procurador da República Dallagnol estava sendo entrevistado pelo Jô Soares, e ele pediu ao Jô que perguntasse à plateia quem achava que a operação Lava Jato salvaria o País. O auditório estava bem cheio e duas ou três pessoas levantaram a mão. Mas essa realidade não acaba com a verdade delirante dele, a verdade delirante continua, apesar dessa realidade indicar outra coisa, sem qualquer ligação com os fatos.
Teria um exemplo concreto do que você chama de verdade delirante?
O processo normal de elaboração de um juízo jurídico é escolher os fatos típicos, as provas e, no final, chegar a uma verdade: a uma verdade formal no processo civil e à verdade real no processo penal. Se as provas não são suficientes, presunção da inocência e decisão a favor do réu, in dubio pro reo. Mas quando você começa com uma certeza, com uma verdade delirante, qualquer fato serve e você não para de escrever. Se precisar, vai escrever 500 páginas para provar sua verdade inicial.
A verdade delirante emblemática é o Deltan Dallagnol dizendo: “não temos provas, mas temos convicção”. Isso é uma verdade delirante. Ele não tem prova, mas ele “sabe” quem é culpado e vai fazer qualquer coisa, arrumar qualquer argumento para provar isso. Entende? Ao dizer isso, ele não parte dos fatos, parte da ideia da cabeça dele. Também como quando diz: “a Lava Jato vai salvar o País” ou “a Lava Jato vai acabar com a corrupção no País”, tudo isso é verdade delirante.
E o papel da grande mídia nisso?
Como uma verdade delirante se transforma em verdade pacífica? Você repete essa verdade muitas vezes, em muitos espaços, com replique. Repete e fica replicando. Quantas horas de grande mídia só acusando Lula? Muitas.
Um juiz usar uma matéria de jornal para fundamentar convicção dele é verdade delirante. Isso não é lei e não foi constituída prova dentro dos autos, com o rigor do direito. Então eu não posso considerar. “Ah, porque o jornal anunciou que a pessoa foi três vezes lá. Então, vamos denunciá-lo por isso”, ou “a testemunha tal disse num jornal que a ré esteve lá. Então, ela é a dona”. Olha o pulo que se dá. Isso é verdade delirante.
De uma maneira geral, com tanta desigualdade social no País, é muito difícil que um réu não se sinta oprimido e que o opressor não se justifique, não se legitime, na posição de opressor. “Ele ganha mais porque ele pode, merece. Não tem nada de estranho nisso”, é a justificativa. Outra verdade delirante é entender que você é melhor que o outro e exigir tratamento especial.
Como seria feita a recepção da chamada exceção de parcialidade na legislação brasileira?
Por meio de mudança legislativa. Dentro do comportamento dos operadores do direito é muito importante que a lei brasileira seja alterada, o Código de Processo Penal e Processo Civil, para receber a teoria da aparência, em que uma mera fotografia de um operador do direito em risinhos e intimidades que só se tem com amigos íntimos, com um adversário político de um réu seu, bastaria para afastar este juiz do caso. Só uma vez, não precisa ser muitas. Tem acontecido muitas, é verdade, mas uma vez serviria.
Além da implementação da exceção de parcialidade, proposta pelo Coletivo Transforma MP, eu tenho ainda a ousadia de propor que essa exceção não fosse julgada pelos pares do suposto operador do direito, mas que fosse julgado dentro do Conselho Superior da Instituição e que nesse Conselho houvesse, pelo menos, 80% de representação popular, para que ameaças de corporativismos fossem afastadas.
O projeto do senador Roberto Requião de abuso de autoridade, aprovado pelo Senado, está nesta linha?
Sim. Exato. Para manter um certo controle da ação do juiz, delegado, promotor, dos operadores do direito. Atos praticados com arroubo podem matar uma pessoa. Por exemplo, o reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, não aguentou.
Onde acha que a Lava Jato quer chegar?
Na eliminação do maior adversário político do PSDB e da oligarquia dominante. Poderíamos dizer que a operação Lava Jato representa a forra, a  vingança, da classe dominante que, em cinco séculos de história juntou milhões de desassistidos, deixou morrer milhões de crianças, instalou em vários momentos ditaduras e não se conformou de assistir condenados ao esquecimento histórico chegarem a posições de certo conforto socioeconômico.
Se formos analisar a, digamos, árvore genealógica dos membros da Lava Jato, e existem estudos sobre isso, veremos que eles são legítimos representantes da classe oligárquica dominante que precisa manter um certo status quo e que quer manter o poder. Querem dinheiro e poder.
A corrupção é função da desigualdade social. Há diagnósticos de importantes sociólogos dizendo que se atacássemos as desigualdades, o nível de corrupção desceria muitíssimo. Muitíssimo. Então, quando se proclama que a Lava Jato vai acabar com a corrupção no País é mais provável que acabem com a Lava Jato, antes que a corrupção acabe.
Uma outra verdade delirante. E acabar com a desigualdade, diminuir a desigualdade, cumprir o pacto constituinte, fica para quem? Quem vai fazer isso? Quem quer ajudar a cumprir as normas constitucionais? Normas que pedem, que exigem, que impõem ao estado a gerência da coisa pública para que a sociedade brasileira se torne, de fato, solidária, para que seja erradicada a miséria do País, para que todos tenham educação, saúde, para que todos tenham comida, oportunidade de felicidade, de desfrutar de todos os bens imateriais e materiais da vida.
A classe oligárquica, muito bem representada pelos integrantes da Lava Jato, defende a meritocracia. Há um vídeo ótimo na internet em que se propõe uma corrida para ganhar uma nota de cem dólares e a pessoa que lidera a brincadeira diz: “dois passos à frente para quem cresceu com pai e mãe em casa, dois passos à frente para quem sempre teve comida, dois passos à frente para quem pôde pagar por seus estudos”, e os negros vão ficando para trás e podemos perceber quem ganharia a corrida. Está marcado, é um jogo de cartas marcadas. Quem irá implementar o pacto constitucional de igualdade real?
Como se expressou a plateia do Jô Soares, a Lava Jato não vai salvar o Brasil. Está enfiando o País num buraco de autoritarismo, em que a ordem jurídica, a ordem democrática constitucional, a ordem cara à humanidade, de respeito a direitos humanos como acesso à Justiça e direito de ser julgado por juízo imparcial e independente, tudo isso está, simplesmente, sendo esquecido em várias instâncias do poder judiciário.
É uma contaminação de tal ordem que nos permitiria dizer que vivemos, atualmente, um estado de exceção, onde quando interessa se aplica a lei, quando não, se esquece a lei e se faz jurisprudência criativa para justificar a proteção, a blindagem, dos amigos ou a criminalização dos inimigos. O sistema parece entregue a essas duas tarefas: blindar amigos e criminalizar inimigos.
Acha que a Lava Jato é instrumento do PSDB ou o PSDB é instrumento da Lava Jato?
A Lava Jato é instrumento de uma ideia de nação que visa manter a meritocracia como argumento básico para a continuidade de privilégios históricos. Por que um juiz ganha muito mais que um salário mínimo? “Porque ele estuda mais. Porque merece”, essa é a justificativa nesse discurso. Um projeto completamente diferente do projeto de nação que começou a ser implementado a partir do Lula.
A Lava Jato serve a uma minoria privilegiada. Se você faz a árvore genealógica das pessoas que integram a operação, vê que elas participam dessa minoria, dessa oligarquia jurídica, política, social, econômica.
E tem alternativa a isso?
Acho que tem. Eu elaboro o que chamo de “devolução de justiça própria”. Por exemplo, a Lava jato poderia ter negociado, com todos os réus e todas as pessoas envolvidas, a devolução de recursos sem atingir programas e empresas. De uma forma menos comprometedora para a economia nacional, que está em frangalhos.
A “devolução de justiça própria” se dá num quadro que denomino de “Justiça feminina do cuidado”. Isto é, se for só aplicar a lei, primeiro, não tem juiz neutro, imparcial, a Justiça tira as vendas e escolhe os amigos para blindar e os inimigos para perseguir. Então, a melhor forma é devolver “justiça própria”. Deixar que as partes encontrem uma melhor forma de resolver a questão. Não estou falando de Lava Jato, mas sim de um sentido geral de justiça. E a aplicação do direito precisa reservar valores e bens mais altos às partes, como por exemplo, manter a capacidade de investimento das empresas, manter o parque industrial e outros projetos. Tudo isso foi parado por causa da Lava Jato.
Você fala que o direito é regido por algoritmos, o que quer dizer?
O algoritmo é um sistema formal idealizado do direito. Tem a lei e o juiz aplica a lei com as vendas. No computador, se eu coloco a senha certa, não importa se eu ou você está digitando, entro no seu sistema. Vou fazer o que o computador está programado para fazer.
E isso é uma mentira, não existe, uma vez que estamos sempre lidando com pessoas. Então, se temos dois processos iguais, se um for para o juiz A e outro para o juiz B, provavelmente, as decisões serão diferentes, e o sistema é o mesmo. O sistema se pretende científico, algorítmico, e não é.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Vai passar?


Foi-se o tempo em que os CANALHAS desse país cometiam tenebrosas transações às escuras, aproveitando a distração da pátria-mãe, quando ela dormia. Os CANALHAS de hoje cometem seus crimes em plena luz do dia, sabendo que não serão atormentados por nada e nem ninguém.

Nenhum paralelepípedo desse país se arrepia diante de tantos atos escabrosos.

À vista de todos, eles correm com malas de dinheiro, acumulam riquezas inimagináveis para um homem público, cometem os maiores crimes contra a Democracia e a Constituição, sem que haja quem os interpele.

Riem da nossa cara. Da cara do povo brasileiro. Principalmente daqueles que os apoiaram nas suas tenebrosas transações.

Ai, que vida boa, olerê!













Ai, que vida boa, olará!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Se você agir com dignidade, pode até não consertar o mundo, mas uma coisa é certa: haverá na terra um CANALHA a menos.


Aconteceu o que todos nós já imaginávamos. 

O senado, assim como o supremo, legitimou os crimes de aécio neves. 

As três casas do poder jogaram na cara do povo brasileiro que a justiça, infelizmente, não é para todos. 

Caiu por terra, de uma vez por todas, o respeito dessas instituições ao ordenamento constitucional e o Brasil virou terra sem lei, ou melhor(!), uma terra onde a lei não alcança os CANALHAS. 

Para onde olhamos, no executivo, legislativo e judiciário, o que vemos por toda parte são CANALHAS!

CANALHAS do supremo que socorrem CANALHAS do senado, que socorrem CANALHAS do executivo, que elegem CANALHAS para o supremo.

O homem que levou o país à maior crise política e econômica de toda sua história, o articulador de uma perseguição institucionalizada contra a Democracia, o amigo dos juízes moro e gilmar mendes, aquele que juntamente com cunha, temer e "grobo" conseguiram destituir uma Presidenta honesta e legitimamente eleita pelo voto, aécio neves, é o cara que surfa em cima da hipocrisia de um ordenamento jurídico completamente falido.

Quando Millôr Fernandes cunhou a frase título desse texto, não imaginava que haveria de existir tantos CANALHAS no nosso país, nesses tempos sombrios. Tempos de incertezas, de perdas de direitos, de retorno da fome, de esculhambação jurídica e tantas outras mazelas, causadas pelo destempero e malcriação de um playboy mineiro, do Leblon que se viu, dono do Brasil.

O mineirinho dos 2 milhões em malas, da corrupção em Furnas e na cidade administrativa de Minas, do "alguém que podemos matar", do aeroporto construído em terras do tio e da perseguição à imprensa mineira; o aécio do volume de dinheiro público empregado em rádios da família, esse mesmo aécio de tantos atos arrogantes e fascistas, venceu mais uma vez. 

aécio 7 x 1 Brasil.

Parabéns, aécio!
Você é o cara!