Se a ideia de segurar a frota de ônibus no dia do segundo turno era deixar o eleitor de baixa renda em casa, a estratégia falhou feio.
Em várias capitais e cidades importantes, com Salvador virando o símbolo da confusão por causa da tal retenção de coletivos nas garagens, a população sentiu na pele o desrespeito do poder público num momento tão importante para a democracia.
No entanto, em vez de desistir, o eleitor deu um jeito de chegar às urnas.
O resultado da eleição presidencial foi o recado mais claro e sonoro que o país poderia dar. A margem que garantiu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, com 64,2 milhões de votos contra os 59,8 milhões do tariflávio rachadinhas, abriu uma vantagem de mais de 4,39 milhões de votos.
Uma diferença gigante, que provou que nenhuma catraca fechada ou desculpa logística tem força suficiente para barrar a vontade popular quando o eleitor decide se posicionar.
Enquanto a população fazia a sua parte, a Justiça Eleitoral e o STF tiveram que correr atrás do prejuízo no próprio domingo de votação. Diante da morosidade e da "cara de paisagem" do presidente do TSE, nunes marques, o STF precisou agir de urgência para garantir que as urnas ficassem abertas até as 19h onde o transporte falhou.
Passada a ressaca da eleição, o trabalho duro agora é com a Polícia Federal, que vai ter que cruzar os dados de telemetria das garagens, itinerários e bilhetagem para saber quem agiu com dolo, ou seja, com a intenção clara de sabotar a ida do cidadão até a seção eleitoral.
O recado final das investigações cairá direto no colo dos gestores públicos. Os prefeitos desses municípios, uma vez constatado o crime contra o processo eleitoral, deverão ser condenados, perder o cargo, perder os direitos políticos e ser presos.
O direito de ir e vir para votar é sagrado.
Mais grave ainda foi a postura antidemocrática da empresa de aviação Gol, que impediu brasileiros de viajarem para seu domicílio eleitoral, cancelando as viagens e remarcando-as para o dia seguinte.
Se a investigação da PF comprovar que prefeitos ou empresários usaram a frota de ônibus, trens, barcas, carros ou aviões como peça de jogo político, as punições não vão parar em multas: vão avançar para processos criminais e perda de direitos políticos por abuso de poder.
A mobilidade urbana nunca mais poderá ser usada como tranca na porta da democracia.
É isso!

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