Esse foi o comentário de um eleitor de figuras carimbadas da política do ódio, como o rachadinhas, bananinha e o chupetinha, inconformado com verdades ditas.
Quem repete a balela de que o nordestino vive de caçar calango e passar fome na seca parou no tempo ou prefere fechar os olhos para a maior transformação social que o interior desta região já viu.
Essa "revolução silenciosa" ocorrida no Brasil, com impacto profundo no Nordeste, foi impulsionada por políticas de inclusão estrutural de governos progressistas (três mandatos de Lula e dois de Dilma Rousseff).
Nos anos 90, o cenário do sertão e do agreste era o da carestia estrutural: o isolamento geográfico forçava o êxodo em massa em paus-de-arara, e a sobrevivência dependia de uma resiliência extrema contra a seca, sem amparo público duradouro. O que mudou desde então não é "maquiagem política", mas resultado de redistribuição de renda, valorização real do salário mínimo e políticas que tiraram o Nordeste da penúria crônica.
Os números da saúde pública desmentem qualquer saudosismo macabro. No início dos anos 2000, estados como Piauí, Maranhão e Alagoas registravam taxas de mortalidade infantil alarmantes, superando 40 óbitos por mil nascidos vivos, empurradas pela desnutrição e pela carência da rede básica. Hoje, a média regional despencou para cerca de 13,5 por mil, com quedas expressivas em todo o interior. Bebês que antes morriam de diarreia e falta de assistência básica no berço do sertão hoje crescem com vacina, acompanhamento do SUS e perspectiva real de longevidade.
Essa reviravolta aparece escancarada no cotidiano: onde antes se via o animal esgotado no asfalto quente ou o caminhão pau-de-arara lotado de gente partindo em busca de sorte no Sul, hoje o interior do Nordeste pulsa com uma frota expressiva de motocicletas, carros populares nas garagens e polos comerciais vibrantes no Agreste e no Sertão.
Na geladeira da família nordestina, a escassez deu lugar à proteína diária garantida, ao leite e à autonomia de consumo gerada pelo emprego local e por programas de transferência de renda que transformaram a realidade da mesa.
Por fim, o velho mito de que o nordestino só serve para mão de obra barata ou alvo de piada preconceituosa também desabou. Com a chegada de campi universitários no interior e o acesso de jovens de escola pública ao ensino superior, o filho do trabalhador rural vira técnico, engenheiro e doutor sem precisar abandonar suas raízes.
Quem insiste na piada do calango só conhece o Nordeste pelo retrovisor da ignorância e não aguenta ver o povo ocupando o seu espaço com dignidade.
Os últimos 26 anos poderiam ter sido ainda melhores para o Brasil e para o Nordeste, mas o ranço de uma extrema-direita antinacional insiste em desprezar o próprio povo.
Viva o Nordeste digno.
Viva Luiz Inácio Lula da Silva.
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