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sexta-feira, 8 de março de 2019

Texto do C, Manno!!!

Desculpa aí, galera; mas a Milla que eu compus é Daniela Mercury futebol clube, tá?
A Milla da música é amor!
É liberdade!
É diversidade!
Jamais seria tortura, homofobia, xenofobia, preconceito.
Jamais seria ligada à milícia ou laranjas.
A música “Milla” tem que estar conectada ao lúdico, alegre, divertido, adolescente, amoroso... jamais à essas pessoas horríveis que admiram Bolsonaro e criticam colegas de trabalho por pura maldade, inveja ou burrice.
A Milla fala de mil e uma noites de amor. De alto-astral. De uma lembrança boa e inesquecível; às vezes dolorosa como ferida aberta; eterna como tatuagem.
Eu compus essa música quando era militante do PV (quando o PV era um partido de esquerda).
Eu andava de bata. Fumava maconha e queria ser professor de história.
Milla jamais seria composta por um admirador de Bolsonaro.
Porque um admirador de Bolsonaro de 19 anos, idade em que compus Milla, não ia saber falar para a pessoa que amava que ela era a Ilha do Sol dele. Que ela representa a paz, o amor, a saudade, e as coisas mais puras e bonitas que há em uma relação carinhosa e amorosa.
Milla é uma música simples. Bonita. Fofa. Linda.
Como a pessoa e o sentimento que me inspiraram.
Milla não é fruto de ódio ou torturas.
Milla é pra quem ama. Pra quem chora. Pra quem luta.
Milla é a esperança de dias e pessoas melhores. Milla não faz arminha na mão.
Não critica a liberdade sexual.
Milla é um sorriso gostoso.
Coloquei o nome de Tuca na composição que fiz.
Era pra ser assim. Naquele tempo, nossas conexões permitiram que fosse assim.
Mas Milla é minha. É minha alma. Sou eu falando.
Tem muito amor e cumplicidade na história dessa música. Que nos enriqueceu.
E minha maior riqueza é ouvir Milla sendo tocada e cantada até hoje.
Milla é mais que uma música; é uma história.
Que teve em Netinho, um homossexual não assumido-gente-boa, uma voz.
Não um reaça. Não esse cara de hoje.
O problema não é nem ele ter votado em Bozo.
Conheço um monte de gente que votou naquele imbecil.
Milla pode alegrar o coração até de quem votou em Bozo.
O problema de Netinho é o que ele virou.
Um rapaz que rebate sua colega de profissão, Daniela, com memes e ironias, por ela querer defender o diálogo.
Um rapaz que virou um constrangimento.
Um outdoor de vergonha e retrocesso medieval.
Esse rapaz de hoje jamais faria sucesso com Milla.
Para ele, a história de Milla ficou pra trás.
Acabou.
Milla agora é símbolo de RESISTÊNCIA!
Milla Livre! Lula Livre!
A Milla da música não tem nada haver com o personagem constrangedor que Netinho virou.
Que NUNCA MAIS vai gravar Milla, ou Pra Te Ter Aqui, ou qualquer coisa que eu compuser.
Não quero estar perto dessa gente que posa de gente, que fala de um Deus malvado, que apoia Ustra!
Qual o sentimento que é pra gente ter sobre Netinho?
Pena, constrangimento ou vergonha alheia?
Naufrague com sua maldade, Netinho.
Se achasse que você só está ainda doente, não te escreveria isso.
Você está são e completamente conectado com esse governo inacreditavelmente perverso.
Nao me chame de amigo.
Não sou seu amigo.
Não quero mais ser seu amigo.
Você não merece Milla.
Bicha burra.

Manno Góis

domingo, 5 de outubro de 2014

Afinal, quem interpreta melhor as músicas de Roberto?



Eu sempre fui fanzão das músicas do Roberto Carlos. 

Confesso que nutria pelo Rei uma admiração fora do normal. Lembro-me o dia que comprei um de seus LPs de final de ano com metade do meu pagamento semanal. Para os que não sabem, houve uma época em que os salários eram pagos semanalmente ou quinzenalmente.

Não era que o LP do Roberto fosse caro... Na verdade, eu é que ganhava muito pouco por semana. 

Lembro-me da bronca que levei quando cheguei em casa sem o dinheiro completo. Minha mãe estava contando com o meu pagamento da semana para fazer a feira. Mas, valeu à pena! Afinal, lá estava, tocando na sala da minha casa, o mais novo sucesso do Rei.  

Lembro-me do primeiro show que assisti, ao vivo, no Geraldão. A partir daquele, foram seis ou sete, não lembro quantos. 

De lá pra cá já se passaram trinta anos. É claro que muita coisa mudou. Até aquele profundo sentimento que eu sentia pelo artista, se esvaiu. Mas, até hoje o que mais me chama atenção são as interpretações dadas, por outros artistas, as canções cantadas pelo Roberto. 

Do Rossi ao Caetano, de Marisa Monte a Titâs, foram muitos famosos interpretando as músicas do Rei. 

Cada um, a seu modo, deu uma nova roupagem as letras de músicas interpretadas por ele. Diga-se de passagem: tarefa muito difícil.

Até hoje, não consegui encontrar melhor interprete! 

O Roberto é, com todas as broncas que tenho hoje sobre a sua ausência política, o melhor de todos os interpretes que eu tenha conhecimento.

Certo dia apareceu trabalho glamoroso de Maria Bethânia. Não era uma música, apenas. A Diva da MBP gravou um LP completo, interpretando RC. Talvez um dos melhores trabalhos, referente a música, já realizado no mundo.   

O álbum: As canções que você fez pra mim, é uma pérola.

Quando em 1993 ouvi a Bethânia cantando Costumes, Palavras, Você, Emoções... Não tive dúvida: ninguém haveria de aparecer interpretando RC melhor que a Bethânia.

Foi quando em meados de 2009 apareceu uma paraibana cantando a música Esqueça.

Amigo! Falando Sério...

Se sabe a sétima maravilha do mundo? 
Pois é a Elba, cantando a música Esqueça.

Depois de ouvi a paraibana, eu não vou me arriscar em falar mais nada, sobre esse assunto! São saberia o que dizer.
Um primor!
Um espetáculo!
Bravo! Bravo! Bravo!  

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A amnésia da MPB



Foi-se o tempo dos grandes festivais, da ansiedade pelo novo trabalho do Djavan ou da Beth Carvalho, das discussões sobre quem era o melhor entre o Milton Nascimento e Caetano Veloso, das críticas ao novo sucesso desse ou daquele monstro da MPB.

O friozinho na barriga ao ouvir a música “carro chefe” do LP do Fagner ou da Gal Costa.

Que saudade da Elis, do Maluco Beleza, do Tim e tantos outros ídolos da nossa música. Que saudade do novo trabalho do Luiz Gonzaga, nas vésperas do São João. 

As rádios principalmente, têm culpa pelo o que aconteceu com nossa música. Não se ouvi mais clássicos memoráveis, como Carinhoso, Flor de Liz, Roda Viva, Travessia, Águas de Março.

Lembro-me quando Maria Bethania passou a tocar na FM. Foi um acontecimento inesquecível! Seus fãs, cheios de orgulho, propagavam a notícia com uma alegria contagiante no rosto. Cantar na FM, naquela época, era pra poucos. Bethania, ao ser agraciada com essa honraria, passou a fazer parte de um seleto grupo de artistas que nos enchiam de satisfação.

Deitar com o rádio colado ao ouvido e aguarda o locutor apresentar: "a seguir três músicas sem intervalos, do Gilberto Gil". Ou seria do Alceu Valença, do Emílio Santiago, do Toquinhos.

No festival de 1985, Tetê Espíndola, nos deixou sem voz ao cantar Escrito nas Estrelas.

“Caso do acaso
Bem marcado em cartas de tarôt
Meu amor, esse amor
De cartas claras sobre a mesa
É assim
Signo do destino
Que surpresa ele nos preparou
Meu amor, nosso amor
Estava escrito nas estrelas
Tava, sim”

Eram outros tempos.

Hoje nas rádios, a MBP passou a ser música indesejável! Não há mais espaço para sucessos como “bate outra vez, com esperanças o meu coração” ou “meu coração, não sei por que, bate feliz quando te ver...” Se Cartola e Pixinguinha, fossem vivos, certamente estariam decepcionados com o nível ao qual chegou a música que se ouvi nos rádios hoje.

A idade avançada de nossos grandes cantores compositores, diminuiu a capacidade de criação. É notada a ausência dos “monstros” da música no cenário artístico. Embora muitos deles estejam em atividade fazendo shows, sente-se a falta de novos lançamentos. 

Roberto Carlos, por exemplo, tem gravado a regravação do que já foi regravado por ele mesmo. E muitos outros artistas brasileiros têm dado novas roupagens a hits que fizeram sucesso no passado.


Os novos cantores, com raríssima exceção, não acompanharam os “monstros” da MPB. Vez em quando se ouvi novos sucessos compostos por Frejat, Seu Jorge ou poucos outros.

Mas, qualquer sucesso que aparece é sugado por todos os ritmos. Uma mesma música, é ouvida em vários géneros. 

Grava-se uma linda música romântica, se fizer sucesso, imediatamente será gravada no estilo Arroxa, Axé Music, Funk, Forró, Forró Universitário, Sertaneja, Samba. É a carência de música no mercado que leva a esse desespero de regravação.

A qualidade da música brasileira que estamos ouvindo hoje nas mídias, nos emburrece. 

Hits como “Ai se eu te pego” e “Camaro amarelo” são tapas na cara dos poetas Cazuza e Renato Russo. 

Que me desculpem os artistas e fãs, mas, aceitar Ivete Sangalo e Luan Santana, como principais representantes da MPB atual, é demais.

Os dinossauros da MPB continuam faturando em seus shows. Para assistir um show do Chico Buarque é necessário perder o amor de no mínimo trezentos reais. Caríssimo, mas, vale a pena! Mesmo que não tenha, nos shows, nenhum novo sucesso. 

Aliás, um dos últimos sucessos da MPB foi gravado pelo Ney Matogrosso. Falo da música Poema. Um verdadeiro tesouro. 

Se os setentões perderam suas aspirações para compor, só nos resta esperar dos mais novos artistas. Lenine é um desses, que guarda a esperança de reerguer a MPB. 

E pela procura dos shows dos dinossauros da MPB, percebe-se uma necessidade dos fãs em curtir uma balada diferenciada, com mais qualidade, menos zuada.

Um estilo que tenha mais a nossa cara. A cara do povo brasileiro. A MPB é a cara do povo brasileiro. Se parece com o Paulinho da Viola. 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Caçador de mim – A música da minha vida


As pessoas procuram tirar conclusões sobre letras de músicas assim como de tudo que existe no mundo. 

Na música, Caçador de Mim, não faltam “especialistas” para tecerem análises comportamentais sobre esse grande sucesso da MPB.

Há quem diga que os autores, Sérgio Magrão  e Luiz Carlos Sá, exprimem na letra um ser humano perdido, que não se conhece e vive em busca de descobrir a si mesmo.

Concordo em parte com essa última definição. É assim que a música me chega. Como uma ideia de descobrir o novo dentro de nós mesmo. 

Pra mim não tem nada a ver com “não se conhecer”. Pelo contrário! E sim, de descobrir o que há de novo em cada um nós.

O homem vive preocupado com o outro. Julga os outros, sabe mais sobre os outros que sobre si mesmo.

Embora existam dentro de cada um de nós, escondido, esquecido e guardado, defeitos que tentamos esconder, muitos de nós preferimos nos importar com a vida do outro, de analisar os defeitos dos outros, de apontar os defeitos dos outros.

E seguimos assim, como ser humano, não enxergando sequer as falhas e defeitos físicos, quanto mais os intrínsecos.

Diante do espelho, o homem enxerga um ser perfeito. "Poxa! Afinal de contas, por que todos não são iguais a mim?"

Nós somos seres multáveis, falhos e defeituosos. Muito do que somos hoje, não condiz com o que éramos antes. Não falo isso me referindo ao peso da idade ou referente às experiências adquiridas com o passar do tempo. Refiro-me a mudar porque a mudança é natural a todo ser vivo.

É do homem mudar!

Preferencialmente, para melhor!

Claro que as experiências vividas, as diferenças individuais, o meio em que vivemos, a formação, as pessoas com as quais convivemos no dia – dia, entre outras coisas, aceleram essa mudança. 

Mas, certamente, elas virão. Independente de qualquer outra causa senão o tempo.

A letra dessa música fala justamente disso. Da importância e necessidade que temos, ou pelo menos deveríamos ter, em olhar para dentro de nós e perceber as mudanças. Corrigir qualquer defeito. Aprimorar sentimentos. Ser um caçador de si mesmo.

Precisamos estar sempre atentos a essa mudanças, para nosso próprio bem e para o bem da sociedade.

A música já foi gravada por vários cantores, mas, é na voz de Milton Nascimento, que ela se torna um bálsamo para minha vida.

Chego a ter ciúmes da música.
É tanto que não vou reproduzir o vídeo do Milton cantando. 

Se contentem apenas com a letra.


Caçador de mim

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim