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sábado, 22 de dezembro de 2018

Um dia inesquecível


Dizem que dificilmente esquecemos o dia da nossa formatura. 

Quem diz isso ainda não sabe o que é a formatura de um filho ou filha. 

Olhar nos seus olhos e enxergar a satisfação do dever cumprido. O dia da minha formatura, depois desse 19/12/2018, ficou no esquecimento. 

Após cinco longos anos de muito estudo, muita batalha, muitos percalços, enfim chegou o grande dia.  A colação de grau dessa moça linda que eu amo mais que a minha própria vida. 

Sou grato a Deus e a ela por terem me proporcionado essa emoção extraordinária. 

Inesquecível!!

Por longas horas, sentado ao seu lado, em meio a 330 concursados de vários cursos, familiares e amigos, professores e administradores do evento, meio que passou um filme na minha mente. Lembrei de muitas coisas, mas, principalmente, da luta, da sua luta pela conquista desse sonho. 

Lembrei do início. Quando a peguei nos braços há poucos minutos de nascida e disse a Deus: Senhor, essa é a minha filha e ela é Tua para que honre o Teu nome e cresça e se transforme num ser humano que nos faça sentir orgulho.

Deus, verdadeiramente, me ouviu!

Eu não conheço outro ser humano melhor.

As adversidades vieram, os contratempos, problemas, acidente, incômodos, mas, havia um sonho a ser conquistado. E sonhos só são bons e dão certo, quando temos alguém que possa sonhar conosco. 

E foram muitos que sonharam e torceram pela ascensão acadêmica e profissional dessa moça.

É chegada a hora do início de uma nova etapa e novos sonhos. Estaremos juntos desde a hora da largada até a cansativa chegada. 

Parabéns, minha filha!

Que Deus continue te abençoando, enormemente!!!


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Por que os nossos filhos crescem?



O que mais critiquei na minha adolescência foi o saudosismo dos mais velhos daquela época. E hoje me pego com saudades das minhas filhas ainda crianças. 

Lembro-me de suas caras no primeiro dia em que as vi na maternidade, logo depois de nascidas, há poucos minutos de suas vindas ao mundo.

Enroladas no lençol do hospital, chupando o dedo e chorando ao mesmo tempo. Lembro das carinhas sujas ainda. Do medo que tive de machucá-las ao tê-las no colo. Meio sem jeito, quase que executando ao mesmo tempo, a mais prazerosa tarefa e a mais difícil. Sentia como se elas pudessem cair dos meus braços a qualquer momento.

Aquele ser molengo sem estrutura óssea. “Enfermeira, por favor! É melhor deixá-la com a mãe”.

As primeiras mamadeiras, as primeiras noites sem dormir. A cadeira de balanço, tão amiga, nas horas mais difíceis. Ter que acordar às duas da manhã para fazer o leite e imaginar que conseguiria, enfim amamentadas, ter algumas horas de sossego.  

Sossego? Puro engano!

Depois de tomar o leite, ativavam o "botão" brincar!

Alguém já imaginou ter que às três da matina brincar com gugu gaga? Cantar “boi, boi, boi...” E receber em troca uma gargalhada do seu filho de seis meses de nascido?

Quem disse que tomar leite dá sono? Dá muita energia, perda de sono, vontade de brincar e gargalhar.

Decidi, ainda na barriga da mãe, que não iríamos comprar chupeta para elas. Sempre achei que [a chupeta] seria a primeira e mais danosa mentira que os pais dão a seus filhos. Pagamos um preço por isso, é certo. Mas, não as enganamos toda vez em que elas chorassem, colocando a chupeta em sua boca. 

Sobre o bem de criar filhos sem chupeta, eu digo: valeu muito a pena. 

Entre choros, noites de sono e gargalhadas, elas cresciam e se desenvolviam dia a dia.

Com o passar de alguns meses, elas perceberam que a casa tinha outros compartimentos. 

Engatinhando, elas descobriram que chegariam mais longe. Era chegada a fase do quebra-quebra, do “tira tudo das partes inferiores da estante”; tudo colocado no alto para o bebê não pegar. 

Fechar o acesso delas para cozinha. Não deixar as portas abertas dos quartos. Limitar o espaço delas na sala e, tão somente, na sala. 

Incrível! Um ser indefeso e tão perigoso.

Se engatinhando, elas já criavam tantas desordens e preocupações, que dizer quando começarem a andar.



São com os primeiros passos que elas perceberam que a casa era muito pequena para elas. Descobriram que havia ruas, avenidas, gente, e mais gente, e mais gente... “que legal!” pensaram elas.

Por que criança gosta tanto da rua? 

Eu não lembro que eu era assim quando tinha dois ou três anos.

Mas, uma coisa é certa, nada referente aos filhos se compara às primeiras palavras ditas por eles. Quando ouvi pela primeira vez, elas chamarem papai, foi o som mais lindo que já ouvi na vida.

Mas, nem tudo nos nossos filhos bebês é... assim... lindo! 

Quando começaram a andar, entraram também na fase das palavras impertinentes. A primeira foi a fase do NÃO. Tudo que falávamos, ouvíamos sempre um NÃO. 

Depois da fase NÃO, veio a do POR QUE.

Você imagina ter que encontrar resposta para tudo que você falar? E é um interrogatório que NÂO tem fim. Terrível! Super inconveniente.

Aí vem a fase do EU SABO.

Na verdade, deveria ser: EU SEI, mas elas têm, desde muito cedo, uma enorme capacidade de irritar a mim e à mãe. 

Sabe aquela pessoa com três anos de idade achando que tudo sabe? Um cotoco de gente no meio da sala, achando que sabe ligar a TV, que sabe pôr o DVD para tocar, que sabe amarrar o sapato, que sabe cortar a carne no prato...

“Deixe que EU SABO!"

"EU SABO a hora que vou dormi"

Dói só em lembrar.

Então chega a idade de ir para a escola. E a gente se surpreende em ver que elas foram mais corajosas do que eu. O primeiro dia de aula parecia que elas já estavam esperando, ansiosamente, por aquele momento. A adaptação foi extraordinária. Eu precisei de uns seis meses para me sentir “marromeno” na sala de aula das minhas lamentações. 

E a expectativa delas quanto a quem iria buscá-las na escola(?!). Sei não, viu, mas os pais sofrem.

Quando era eu, tinha que vir o percurso todo explicando as razões pelas quais a mãe não pode ir buscá-las. Elas vinham de cara feia, resmungando pelo caminho. 

Pai, por acaso, não sabe ir buscar filhos na escola?   

Quando era a mãe que as buscava, acontecia o contrário.

Por que o pai não veio? Perguntavam elas à mãe.

Filhos adoram “tirar onda” com os pais. 

Por tudo que foi vivido, as noites de sono, as várias fases que atravessamos, os primeiros passos, as primeiras palavras, a iniciação à vida escolar, as tarefas, as broncas, as tosses e febres, as idas ao médico, tudo, tudo e tudo. Como seria bom se elas não tivessem crescido.

Mas, lá no nosso âmago, para nós elas sempre serão crianças.

Definitivamente, ser pai foi a melhor coisa que fiz na vida. 

🙏


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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Pais e filhos - entre eles - o diálogo.





Quanto mais o tempo passa, vamos ficando sem tempo. Nós, pais, vamos nos afastando dos nossos filhos e nossos filhos vão, cada vez mais, preferindo a aproximação dos "amigos".

Já não existe diálogo como antes entre nós e eles.

Com tanto o que fazer, os pais não percebem os filhos e os filhos, por sua vez, cresceram e buscam tirar suas dúvidas com seus próprios amigos, ou através de literaturas inapropriadas, ou por meio do Dr. Google.

Esse Dr. Google, juntamente com o Sr. Rede, são os culpados pelo distanciamento que está ocorrendo entre pais e filhos.

Os jovens estão cada vez mais antenados na rede e distantes da realidade familiar.


Há uma verdadeira fissura. Estejam onde estiverem, eles sempre querem estar antenados ao mundo. Muitos deles conversam com os pais enquanto digitam em seus Smartfones. Eles quase não falam mais.  Só digitam!

A busca de resolução dos problemas através da experiência dos pais é, para muitos jovens, bobagem ou desnecessária. 

Se os pais não se conectarem, correm o risco de não falarem mais com seus filhos. Os jovens mudaram a ferramenta usual da linguagem, a língua, pelos dedos. É o teclado do computador, são teclas dos Smartfones, as atuais ferramentas utilizadas para se comunicar. 

Mas, seja qual for o caminho, o diálogo ainda é o principal meio para que pais e filhos possam compartilhar soluções de problemas. Mesmo que eles estejam distantes três mil quilômetros um do outro.

Reproduzo aqui o diálogo entre uma filha e seu pai, que exemplifica bem a importância desse assunto.

Marcela, 20 anos, faz curso de Administração na PUC-SP e seus pais moram em Caruaru. Segue detalhes de mensagens, via celular, entre Marcela e seu pai, que aconteceram essa semana. Vale a pena contemplar esse diálogo e refletir sobre o quanto é importante participar das tomadas de decisões dos filhos.

Atenção: textos transcritos da forma SMS, sem ter passado por correção ortográfica.


1ª Mensagens de Marcela para o pai
- Pai. Não estou me agradando nem um pouco de Administração... Tô pensando em mudar para economia. Pq eu amo economia porém tenho medo pois além de o mercado para Economista ser mais difícil. Tbm tenho muita dificuldade em matemática.

2ª Mensagens de Marcela para o pai
- não sei o q faço.

3ª Mensagens de Marcela para o pai
- Pq apesar de administração ser o curso q mais emprega no Brasil, a média de salário é baixíssima. Enquanto que Economia o mercado de emprego é mais concorrido porém os salários e os planos de carreira são bem mais vantajosos.

4ª Mensagens de Marcela para o pai
Eu tenho interesse em segui carreira acadêmica. Mas com a minha falta de paixão pela área q eu to eu não vou conseguir ser aceita com facilidade nas seleções para mestrado qdo eu terminar meu curso. SE EU TERMINAR...

5ª Mensagens de Marcela para o pai
Desde o início eu nunca gostei das disciplinas-chave do curso. Gostei mesmo de cursar filosofia, sociologia e as disciplinas de economia. As específicas da área de ADM eu estudo me arrastando. É um esforço sobrenatural.

6ª Mensagens de Marcela para o pai
- Eu tenho medo de trocar e me arrepender e tenho medo de continuar em ADM e me arrepender ainda mais.

1ª Mensagens do pai de Marcela, pra ela
- Termine o q começou. ADM é muito valorizado e está sempre na moda.

2ª Mensagens do pai de Marcela, pra ela
- Nada a impede d no futuro adicionar outros cursos p aprimorar o d ADM.

3ª Mensagens do pai de Marcela, pra ela
- ADM paga pouco p quem é auxiliar, mas p gerente ADM o sal é muito atrativo.

4ª Mensagens do pai de Marcela, pra ela
- Portanto coloque paixão na profissão que vc escolheu. Quero vê vc a frente d uma grande empresa. Minha Graça Foster, da Petrobrás.

5ª Mensagens do pai de Marcela, pra ela
- Vc não nasceu p ser calda, nasceu p ser cabeça. Esconda a palavra do Senhor no coração e siga sua carreira profissional com sucesso.

6ª Mensagens do pai de Marcela, pra ela
- Todas as grandes CEOs, q estão a frente das grandes corporações, como a Graça Foster, CEO da Petrobras, fizeram ADM no início da carreira.

7ª Mensagens do pai de Marcela, pra ela
- Vc sabe pq as CEOs das grandes corporações são mulheres? Pq o mundo pertence a vcs. Portanto se imponha no mundo!

8ª Mensagens do pai de Marcela, pra ela
- Cheiro!

Tempo gasto por Marcela no envio das mensagens: 3 minutos. 
Tempo gasto pelo Pai de Marcela no envio das mensagens: 30 minutos.
A importância do conselho do pai: imensurável. 



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O idoso antenado e o jovem alienado

Ontem tive que esperar por trinta minutos na fila de pequenas compras, do Hiper Bompreço.
Mas, o que poderia ser tedioso, foi bastante revigorante, no que diz respeito ao processo de desalienação que tenho defendido ao longo dos anos.

Logo após que cheguei na fila, atrás de mim surgiram um senhor idoso, com seus sessenta e cinco anos bem vividos, e na sequencia, depois dele, um jovem aparentando ter de dezoito a vinte anos.

O jovem parecia chateado. Disse, como se quisesse compartilhar com o senhor idoso, as suas frustrações:

- Passei quase duas horas na fila da Casa Lotérica. Ou eu pagava as contas hoje ou teria que gastar dinheiro com multas. Esse país está uma bagunça. Greve dos bancos, dos correios... Professores, no Rio de Janeiro, quebrando tudo... O preço de tudo está subindo... Tudo isso é culpa da Dilma!

O senhor idoso, calado ficou ouvindo, sem contestar nada do que lhe dizia o jovem.

- Lula foi um bom presidente - continuou o jovem – mas, Dilma acabou com muita coisa que ele fez. Se houver segundo turno, entre Dilma e Aécio, eu vou votar no Aécio.

- Você acha que o Aécio resolveria os problemas atuais do Brasil? Perguntou o senhor idoso.

Antes que ele respondesse, o senhor lhe alertou:

- Você sabia que a imprensa mineira não fala mal de Aécio? Você sabia que existe um processo contra Aécio, de desvio de mais quatro bilhões da saúde de Minas Gerais, quando ele governava aquele Estado? Você viu a matéria de capa da Veja e da Época, dessa semana?

Atordoado em meio a tantas perguntas, o jovem disse: não, não vi.

- A Veja trouxe matéria sobre o chocolate – disse o senhor idoso apontando para revista na estande de vendas de jornais e revista - e a Época, decidiu falar sobre a galinha pintadinha.

O jovem ainda sem entender, buscava respostas para àquelas indagações.

- Você sabia que está em curso, investigação de desvio de dinheiro público, do governo de São Paulo, que segundo a PF há mais de vinte anos, políticos e pessoas ligadas aos governadores Serra, Alckmin e Covas, se beneficiaram do chamado Propinoduto Tucano ou Trensalão Tucano?

O jovem não querendo passar ainda mais por ignorante resolveu dizer: 

- Eu... Vi falar sobre isso no meu face...

O senhor idoso então arrematou:

- Como então, as duas maiores revistas em circulação no Brasil, ignoram tudo isso, escondem a notícia dos seus leitores, preferindo colocar na capa temas como chocolate e galinha pintadinha?

O jovem então entendeu onde aquele senhor idoso queria chegar.

- A imprensa protege muito os políticos – disse o jovem.

- Não qualquer político – retrucou idoso.

- Você leu em algum jornal ou revista, que no período da eleição de 1998, FHC engravidou uma jornalista da Globo?

- Eu não era nascido na época, mas, meu pai me falou alguma coisa sobre esse fato...

- Não vote no Aécio - pediu o senhor idoso - ele representa a Globo, a Veja e a classe dominante. Esse pessoal não gosta de pobre e portanto não gosta de você e nem de mim. Vote em qualquer um... Menos neles. 

A fila andava e infelizmente chegou a minha vez de me dirigir até o caixa. Antes, ainda ouvi o senhor idoso dizendo ao jovem:

- Você já leu a Privataria Tucana e o Príncipe da Privataria?

Ainda ouvi, ao longe, o jovem responder:

- Ainda não...



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

“Sou eu painho, que estou aqui!”


Mais um terrível crime que poderia ter sido evitado, caso não tivesse um revolver, dentro de casa. 

Um pai matou o próprio filho de 11 anos, acidentalmente, na madrugada de ontem, confundindo-o com um assaltante no quintal de casa, na cidade de Ferreiros - PE.

O filho era sonâmbulo e foi atingido por um tiro no abdômen disparado pelo pai, de 35 anos.

Segundo reportagens, o pai foi acordado de madrugada pela sua esposa, que temia que alguém estivesse tentando entrar em casa.

O marido foi ver o que estava acontecendo.

Disse que por três vezes falou em direção ao suposto ladrão que “é melhor que você vá embora”.

Não recendo resposta e pressentindo aumentar a investida do “ladrão”, em invadir a casa, o pai decidiu atirar.

Segundo ele, só para intimidá-lo... “Não tinha intenção de matar o ladrão”.

Um único tiro!

Após o disparo, o pai ouviu o filho dizer: sou eu painho, que estou aqui!



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Chicana no STF



O povo brasileiro tem que repudiar a constatação de que no STF ministros fazem “chicana”.

Ter conhecimento desse fato, até temos, mas ouvir da boca do próprio presidente do STF!

Se alguém tinha dúvidas das razões do Brasil estar assim, cada um fazendo o que bem entender, sem respeito às leis, sem moralidade, agora encontrou o motivo.

Um país que tem uma justiça como a nossa não chega a lugar nenhum!

Se na maior e mais importante instituição do país, guardiã da Constituição, ministros fazem “chicana”, o que imaginar que os parlamentares do Congresso Nacional, os deputados das casas legislativas dos estados e dos municípios, fazem?

O que pensar, que acontece nas salas dos milhares de juízes de 1ª e 2ª instancias? 

O povo brasileiro deve repudiar o uso de 'chicanas' por ministros do STF, exigindo uma postura condizente com a alta corte.


Chicana: contestação feita de má-fé; manobra capciosa, trapaça, tramoia.


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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Marcelo Pesseghini, o “culpado” sob suspeição


Um garoto de 13 anos matou o pai, policial militar experiente, matou a mãe, que também era uma policial militar experiente. Em seguida matou sua avó e sua tia avó, sem que tenha respingado uma única gota de sangue dos assassinados em suas roupas. Pela manhã, o garoto dirigindo o carro da mãe, foi a escola, naturalmente como se nada tivesse acontecido. Assistiu às aulas como sempre fez e na saída pediu carona ao pai de seu melhor amigo, até sua residência. Entrou naquele cenário macabro e terminou tudo, atirando na própria cabeça.


Essa é a versão da polícia científica do estado de São Paulo. Eu, sinceramente, não acredito!

Ahhhhhhh, mas, existe o depoimento do colega, em que o Marcelo dizia que queria matar seus pais, fugir de casa no carro da mãe e ser um matador de aluguel.

Esse desejo de criança querer matar pai e mãe é mais comum do que muita gente imagina. Qualquer psicólogo pode atestar isso. A criança não tem a exata ideia do que é matar. Uma criança desejar a morte dos pais, por qualquer razão, não representa necessariamente a materialização do ato.

Há, neste caso, mais perguntas não respondidas que respostas. Por exemplo, como o Marcelo dirigiu o carro da mãe até o colégio, por que não houve vestígio de pólvora em suas mãos, a questão de não ter respingado sangue em suas roupas após atirar em quatro pessoas em situação diferente e a mais extravagante das perguntas: como uma criança de 13 anos conseguiu matar quatro pessoas dando-lhe apenas um tiro, em cada uma delas?

Vivi minha vida toda assistindo filmes policiais e na grande maioria das vezes, as provas contra o assassino sempre estava no vestígio de pólvora em suas mãos. Marcelo Pesseghini deveria ser um expert em armas, em crimes, em assassinatos. Um assassino contumaz. Para fazer o que a polícia de São Paulo o acusa de ter feito, Marcelo não poderia ser o Marcelo Pesseghini.

Todos falam bem do Marcelo. Professores, amigos, vizinhos. Não estamos falando de uma pessoa adulta. Estamos falando de uma criança de 13 anos. Um menino que tinha orgulho dos seus pais e que buscava imitar seu herói.

Para os adeptos da ideia de punir os menores de idade com as mesmas leis de adultos, esse crime nos dá uma enorme possibilidade de refletirmos sobre se uma criança de 12, 13 ou 14 anos tem capacidade de responder por seus atos. Supondo que seja verdadeira o diagnóstico policial sobre o Marcelo. Você o julgaria culpado por esse ato insano e não usual para uma criança de 12, 13 ou 14 anos?

Num país em que a vida vale muito pouco, onde se mata por razões banais e se prega a não violência destruindo sonhos, não seria exagero dizer que esse crime, assim como o de Eloá Pimentel, Daniella Perez, Mateus da Costa Meira, Tim Lopes, Suzane von Richthofen, Dorothy Stang, Eliza Samudio e tantos outros, vai nos atormentar por muito tempo.