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sábado, 13 de dezembro de 2014

Aprendendo com a História – A Guerra do Paraguai



O ano de 2014, que está terminando, comemora-se os 150 anos do maior conflito armado da América do Sul, em todos os tempos. Falo da Guerra do Paraguai. Essa imagem, logo acima, retrata uma das batalhas dessa guerra: a Batalha do Riachuelo.

Cinco países envolvidos neste que foi a maior mancha de sangue do nosso continente, na qual morreram milhares de civis e militares e que até hoje é alvo de estudos, análises e questionamentos.

O período é o do século 19, no ano de 1864. O Paraguai, através de muito trabalho do povo e dos governos, nos 30 anos anteriores à guerra, conseguiu despontar na região e no mundo como uma grande potência econômica. Fato não bem visto pela Inglaterra, na época o principal entreposto comercial do mundo.

A Inglaterra não aceitaria um concorrente! Ainda mais, da América do Sul.

O Paraguai já tinha erradicado o analfabetismo, realizado um extensivo processo agrário e detinha um extraordinário exército à sua disposição. 

Vendendo produtos mais baratos e de melhor qualidade que a Inglaterra, Paraguai foi considerado inimigo Nº 1 da coroa inglesa.

Nesse período, o Brasil foi compelido a entrar em guerra contra o Uruguai. Estava decidido a livrar o povo uruguaio de uma ditadura sanguinária. Ao ver a invasão do Brasil ao Uruguai, o Paraguai teve receio de ter seu território invadido também. A arte da guerra ensina que a maior defesa é o ataque. Aproveitou a ocasião para tentar conquistar um caminho de terras que lhe desse a possibilidade de chegar ao Oceano Atlântico. Assim, facilitaria o escoamento de suas mercadorias. O comércio do Paraguai se dava, exclusivamente, pela Bacia do Prata. Região de muitos conflitos na chamada Tríplice Aliança, envolvendo Brasil, Argentina e Uruguai.

A Inglaterra se viu beneficiada com os conflitos na região. Sorrateiramente enviou emissários à América do Sul. Procurou adotar uma política externa que se propusesse contra o Paraguai. "Alertou" os países da Tríplice Aliança quanto ao “perigo” que se transformara o Paraguai. Um país independente na região e no mundo. O único que não se baixava para a Coroa Inglesa. Um país soberano.

As investidas inglesas contra o Paraguai deram certo. Em dezembro de 1864, justamente há 150 anos, Brasil, Argentina e Uruguai iniciaram uma guerra contra o Paraguai que duraria seis anos.

Como o Paraguai conseguiu se manter de pé durante seis anos contra a Tríplice Aliança, alimentada belicamente pelo poderio inglês? 

Por aí, dá para se perceber o quão forte era essa Nação, seu Governo e seu Povo.

Sempre haverá os que justificarão a guerra culpando os paraguaios. Dirão que o motivo foi o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, pelo Paraguai, no Rio Paraguaio. Poucos reconhecerão a sagacidade da Inglaterra e a falta de visão dos três países que compunham a Tríplice Aliança.

Após seis anos de guerra, o resultado foi a morte de mais de 300 mil pessoas. Somente do lago do Paraguai calcula-se que mais de 20% da sua população morreu na guerra. A indústria paraguaia foi destruída e a economia ficou totalmente comprometida. Brasil, Argentina e Uruguai também tiveram prejuízos financeiros, além das mortes de civis e militares.

Só a Inglaterra lucrou com a guerra do Paraguai. Estava de posse do endividamento dos três países da Tríplice Aliança, com a venda de armas e todo tipo de material para guerra. Tinha conseguido tirar o Paraguai do seu caminho. E passou a ter uma maior influência na região.

A guerra deixou para o Paraguai um saldo desastroso. Só para se ter uma ideia, 80% da população masculina jovem foi morta. Um país destruído, seus campos queimados, suas fábricas fechadas, sua população agonizada.

Até hoje, o Paraguai sofre as consequências dessa guerra maldita, que envergonha a todos que têm conhecimento dela.  

Essa é uma ferida que não fecha nunca!