Prometo que não vou falar na demora da imprensa tradicional
em divulgar o Propinoduto Tucano do governo paulista. Mas, chega a ser cômica a
omissão dos grandes jornais, quando o caso relaciona os partidos de direita,
principalmente o PSDB. E impressiona ainda
mais, a influencia dos barões da mídia, exercida sobre os jornais que tem alcances
regionais, estaduais ou municipais. Não se lia nos jornais de Pernambuco
(Diário de PE, Jornal do Comércio, Folha de PE), uma linha sequer sobre o
assunto. Agora, depois que o Jornal Nacional divulgou, até o jornal Vanguarda, de Caruaru, trouxe
matéria sobre o “suposto” rombo milionário no metrô de São Paulo em vinte anos.
Quanto a demora da imprensa, existe um ditado no sertão
pernambucano que diz: melhor tardar que fartar.
Pois bem. Analisando a divulgação dessas denúncias na imprensa
tradicional, observo que a "grobu" tem motivo de sobra para querer “esquentar”
ainda mais esse caso. Não há melhor forma de esconder um escândalo do que outro
escândalo de maiores proporções. Com o Propinoduto tucano, arrefeceu os comentários
e cobranças de possíveis diligências a Sonegação da "grobu". Com exceção do
Cafezinho, ninguém mais têm como enquadrar ou exigir qualidade FIFA na conduta da poderosa das mídias no Brasil.
Agora, no Propinoduto, o que chama atenção é o acusador. Por
mais que o governo Alckmin, queira culpar os órgãos de fiscalização ou até
mesmo deixar escapar "ser uma ação política", proveniente do Planalto Central, os grandes acusadores, não são caseiros, bicheiros ou doleiros. São as próprias
empresas que compactuaram com a quadrilha do sobrepreço de obras do metrô de
São Paulo. Eu, particularmente, nunca vi nada parecido! E o mais impactante é
imaginar que esse duto de propina existe há vinte anos. Cara! É quase o período
de redemocratização do Brasil. Vinte anos é muito tempo. O que se deixou de
fazer nesse período, no estado de São Paulo, por causa desse duto?
Interessante e irônico, que “duto” em latim significa ductus, condução, governo, comando,
construção.
Dizer que “se houve cartel o estado é quem foi vítima”, é
muito pouco que tenhamos de ouvir do governador. O atual condutor do estado, está mal assessorado. Ele não deveria duvidar da capacidade de raciocínio do povo paulista. Culpar o Cade, por não ter descoberto o "cartel" há vinte anos, não é lá muito inteligente e não é o caminho que o governo deveria segui.
Desde a primeira matéria sobre
o caso (revista Isto É), já são quase trinta dias. Até agora, o partido não se
pronunciou e os envolvidos na denúncia, tanto Alckmin quanto Serra, rebatem as
acusações, acusando os órgão de fiscalização e o governo federal. Seria
oportuno e justo, se os caciques do partido saíssem em defesa, pelo menos do
Covas. Mas, percebe-se um emudecimento do FHC, Aécio, Sérgio Guerra e demais tucanos gordos.
Há um detalhe nesse caso que não pode ser passado
desapercebido: as empresas envolvidas, a alemã Siemens e a francesa Alstom,
simplesmente se anteciparam a lei sancionada pela Presidenta Dilma, que
endurece as regras para punição de empresas envolvidas em atos contra a
administração pública. Seria coincidência ou os lobistas dessas empresas foram
avisados por algum congressista sobre a grande possibilidade da "lei
anticorrupção" pudesse, uma vez sancionada, atingir empresas, fundações e
associações estrangeiras.
Por outro lado, por mais que parte da imprensa tradicional tente amenizar
os danos dessa avassaladora denúncia, a delação premiada, que o MP e a PF estão
propondo às empresas envolvidas, trará problemas irreversíveis para o PSDB.
Como se não bastasse o conteúdo do livro Privataria Tucana e o Mensalão Tucano, agora vem o Propinoduto Tucano.
Se grupos de manifestantes já vinham pedindo a saída do
Alckmin, imagine agora! Já há correntes, dentro da
população paulista, que exige que seja passado um “pente fino” não só na
questão do metrô, mas, também em possíveis desvios de conduta e de dinheiro, de
políticos tucanos, na área da educação, pedágios, asfalto, dos últimos vinte anos.
Os relatos que vem de São Paulo é
que, a cada dia aumenta o número de manifestantes contra o governo Alckmin. Se
ele cair no gosto povo, poderá virar o Cabral paulista. Essa pecha não seria justa na biografia do
Alckmin. Do Alckmin, não!
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