Aécio fez algo terrível para sua imagem. Na verdade, mais uma ação desastrosa. Processar 66 twiteiros, dizendo-se perseguido por eles, foi um tremendo tiro no pé.
Primeiro, quem hoje não é perseguido/seguido na rede de computadores, ou está morto ou não utiliza a Web. Depois, um homem público como Aécio, com um passado sombrio, um presente que dá nojo e um futuro incerto, querer que ninguém fale mal dele!
Aécio governou o estado de Minas escondendo dos mineiros fatos de interesse público. Tendo na sua mão a justiça e a procuradoria do estado, fez e desfez como quis. Mandou e desmandou ao seu bel prazer, juntamente com os seus e a sua irmã, que age com firmeza contra todos que se puserem contra seus projetos.
Aécio inventou um tal Choque de Gestão, quando governou Minas, sendo o que se pode chamar de DESGOVERNO.
Existe muita coisa escondida em Minas que o resto do Brasil não sabe. Tem fatos que estão sendo esclarecidos agora, na campanha eleitoral, que o povo de Minas está boquiaberto. É tanto que o Aécio não vai se eleger presidente, nem no seu estado.
Se a mídia conservadora, quem deveria ser a responsável de divulgar, não divulga! Cabe aos blogueiros sujos essa sagaz missão. Sagaz por ser, certamente, alvo de pressão e processos judiciais que chegam a levar pessoas à prisão. É o caso de um jornalista e um doleiro, que estão presos há mais de um ano por ousarem divulgar/acusar o reinado dos Neves.
Paulo Nogueira respondeu ao Aécio, como só ele sabe fazer. Que bom que a carta foi aberta. Assim, todos nós, brasileiros, começamos a ter uma ideia da visão que tem o presidenciável, queridinho da mídia brasileira, sobre a LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
Liberdade de expressão para eles significa que só eles, apenas eles, podem falar o que bem entender.
Quanto a nós, cabe o silêncio.
Carta aberta a Aécio Neves
Paulo Nogueira (DCM)
Caro Aécio: qual é seu conceito de liberdade de expressão?
Pergunto isso porque fui surpreendido com uma notificação judicial
sua. Soube depois que outros 65 internautas tiveram a mesma surpresa
desagradável.
O DCM é acusado de ser um robô ou, o que não melhora muito a
situação, “um grupo de pessoas remuneradas para veicular conteúdos
ilícitos na internet.”
Primeiro, e antes de tudo, isto configura calúnia.
Somos, como bem sabem nossos 2,5 milhões de leitores únicos por mês,
um site de notícias e análises independente e apartidário. O
apartidarismo e a independência inexpugnáveis explicam por que crescemos
mais de 40 vezes em 18 meses de existência.
Jornalismo, quando se mistura a militância partidária, deixa de ser
jornalismo. Essa convicção está na raiz do jornalismo do DCM.
Nossa causa maior é um “Brasil escandinavo”, como gosto de dizer e
repetir. Um país em que ninguém seja melhor ou pior que ninguém em razão
de sua conta bancária.
É certo que, dentro dessa visão do mundo, entendo que o senhor representa um brutal atraso.
O PSDB, no qual votei várias vezes, lamentavelmente deu nos últimos
anos uma guinada profunda rumo à direita e se transformou numa nova UDN.
Hoje, o PSDB simboliza um Brasil abjetamente iníquo. Os privilegiados estão todos a seu lado nestas eleições, e não por acaso.
Caro candidato: nunca vi o senhor, ou algum outro líder tucano, se insurgir contra o mal maior do Brasil – a desigualdade.
Nossos problemas com o senhor residem apenas no campo das ideias.
Não fabricamos fatos, não inventamos coisas que o constranjam, porque não é este o tipo de jornalismo que praticamos.
Mais que isso: não fazemos acusações levianas e irresponsáveis como as que o senhor fez contra nós.
Se condenamos coisas como o aeroporto de Cláudio é porque entendemos
que elas são a negação do “Brasil escandinavo” pelo qual tanto nos
batemos.
Não admiro sua postura com frequência, reconheço. No debate do SBT,
quando um jornalista lhe perguntou sobre a visão de ética tucana depois
de citar escândalos como o do Metrô de São Paulo e o Mensalão mineiro, o
senhor disse que vivemos num estado de direito.
Ninguém é culpado antes que se apurem os fatos, o senhor afirmou. Perfeito.
Mas poucos dias depois, quando começou a circular uma lista de
pessoas citadas por um ex-diretor da Petrobras, o senhor se apressou em
fazer uma condenação ampla, geral e irrestrita.
“É um novo Mensalão”, o senhor decretou. Estado de direito, portanto, é para o senhor e os seus amigos.
Para os demais, o opróbrio imediato, a humilhação instantânea.
Notemos também que o senhor prega a meritocracia ao mesmo tempo em
que sua irmã ocupa um posto nobre no governo de Minas, pago pelo
dinheiro do contribuinte.
Vários relatos contam a dificuldade de fazer jornalismo independente em Minas.
Isso ficou notavelmente claro para mim quando vi a sua notificação judicial contra nós.
Jornalismo bom para o senhor, aparentemente, é o jornalismo que o aplaude.
Fico pensando como seria complicado, para os jornalistas independentes, conviverem com o senhor na presidência.
Felizmente, é uma hipótese de chance virtualmente equivalente a zero.
Por ora, é só.
Provavelmente voltarei a escrever para o senhor assim que ficar mais clara sua ação judicial.
Grato pela atenção.
Paulo Nogueira, diretor editorial do DCM.
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